Eu estudo e canto
Trabalho e danço
Cuido de tudo e descanso
Em meu mundo de cores
Você estuda, trabalha
Se estica, se explica
Cuida de coisas diversas
Tanto úteis como inúteis
Eu procuro, não acho
Eu saio e escolho
Vivo os detalhes do mundo
Que a sensibilidades consegue ver
Você espera e relaxa
Não sai, mas acha
E vive o prazer do momento
Seja eterno ou dispensável
Eu sinto, e choro
Converso e rio
Se não consigo o que quero
Volto e tento de novo
Você sente e vive
Conversa e faz
Promete o que não cumpre
Para ter alguém do lado
Fico só então
Desisto de pronto
Porque se a luta é desprezível
Para que algo ruim?
Você volta e chama
Não-me deixa ir embora
Mas não ousa ir além
E enfim me ignora
Nesse jogo interminável
De amizade e ofensas
De pessoas variadas
E de coisas semelhantes
Um encaixe é feito
Na medida do equilíbrio
Se é visível a alma
Porque negar o corpo?
Enfim, também cansa
Brincar o tempo todo
Eu sei do combate final
Mas será que o quero?
Depois de bater na parede
a cabeça de teimosia
Talvez perceba a burrada
E faça a vida por outra via
Mas talvez eu resolva
Me esconder de verdade
E não mais apareçer
Na tua face outra vez
E talvez um dia perceba
Que não sou uma mulher
Igual a tantas iguais
Sou fibra e vida e sonho
E apareço para acordar
Quem esteja defronte a mim
Função, dom meio q isso
Mas você ainda vai saber...
Que a vida trava, quando precisa-se aprender algo e nega-se o caminho.
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