Sentada na poltrona olhando para o computador, como em todas as horas que ela passava quando as possibilidades de algo útil se acabavam, ela foi conversar com seus queridos buscando um oi, para dar mais cor ao seu dia.Entre os que estavam naquele momento o moço dos olhos que lhe acompanhou na noite passada, naquela festa cheia e pessoas divertidas, música, comida diferente, conversas e tantos momentos.
Lembrava de flashes da noite. Amor, estudos, trabalho, música, atividades, besteiras, liberdade, raízes, comidas, pessoas. Tudo cabia nas conversas que tivera com o pessoal. Ia-se formando um labirinto de possibilidades que quase sempre eram cortadas com alguma risada seguida de esquecimento das palavras anteriores...Laços de relacionamentos foram lançados e cultivados em pouco tempo, mas suficiente.
Em uma das conversas sobre a vida e o tempo, que é tão corrido nos dias de hoje surgiu a pergunta do moço:
- E como se faz para namorar quando se tem uma agenda tão cheia?
Ela:
- Ah, é complicado, mas...em minha opinião há duas escolhas ou acompanhar ou respeitar a liberdade.
No mesmo momento veio uma memória de uma frase na mente do moço e ele a citou: Quando tiver que escolher entre a disciplina e a Liberdade escolha a liberdade.
E a moça filosofou:
- Afinal se você tem liberdade é livre para ter disciplina ou não. Mas se você tem disciplina, sua vida fica presa a preceitos que te impedem de ter liberdade...
E a conversa mudou p outro rumo. Voltando para aquele estado divertido de desconhecimento que as palavras não saem, mas o olhar busca algo e acaba por dizer por si mesmo.
...
Por fim já estavam indo para casa em meados de cinco e pouco da manhã, chegaram a assuntos de amizade. O sono já baqueava ambos e as palavras saiam confusas...risos nervosos...palavras ao vento...a moça lembrava dos amigos que conhecera na noite. E dizia algo a respeito:
- Amizade para mim, é o fator mais importante para a sustentação emocional de uma pessoa. E é legal, porque amigo a gente vê à longas distâncias de quilômetros e às vezes tempo, mas o carinho é o mesmo. No fim é a mesma coisa.
- Pois é (o moço responde) o dono da casa mesmo não nos víamos ha uns dois ou três anos e foi uma história engraçada, quando vi ele, ele estava casado e eu namorando...e agora quando nos vimos de novo ambos estávamos solteiros e a amizade continuava forte.
- É é legal quando se encontra um velho amigo. Eu acho que as amizades também deviam ser nutridas com liberdade porque o sentimento continua.
O moço discordou em pontos:
- É legal deixar os amigos livres sim. Mas o cuidado de ligar, de deixar uma mensagem também é essencial para nutrir as amizades. É preciso cultiva-las também.
- É verdade (a moça falou pensativa), isso é uma coisa importante mesmo. Nem sempre faço isso.
Pensando sobre o moço respondeu:
- E as magnitudes de como as pessoas reagem a estes estímulos é totalmente individual, única!
Daí a conversa já se voltava à filosofia de novo a moça então continuou dialética:
- E isso acaba sendo uma das coisas mais fantásticas da vida as pessoas, as reações, sentimentos, os atos. Se relacionar é sempre uma surpresa afinal, e o inusitado que observamos em cada um, é fascinante perceber. E é complexo também não é? Essa coisa de sentir pensar e agir.
Chegaram dessa forma aos assuntos complicados, afinal como se determinar o que é complexo e o que é simples nessa vida?
O moço divertidamente responde:
- Não é nada, pra mim é assim: "tudo é muito simples quando é só vc.
- Pois é, mas e quando existe o outro e aí?
- Ah, aí se tornam complicadas!
- Talvez, um pouco. Mas não muito.
O moço então acrescenta:
- E a partir de três pessoas, há análise combinatória.
...
E nessa hora a moça já confundia as idéias porque o sono já estava batendo há um tempo. Seus olhos se fechavam e o raciocínio ficou mais lento. Mas ela não queria terminar a conversa então começou a falar novamente de coisas esparsas, os risos divertidos, os risos nervosos. A madrugada terminava e o dia começava para eles assim.
A filosofia não coube mais naquele dia devido à necessidade fisiológica de dormir. Estavam no prédio da moça e finalizaram a conversa. Mas os olhares disseram o suficiente para determinar que aquela conversa não terminaria ali daquela maneira...
O sono a essa hora batia e o computador já estava até cansado.Ela pensava no dia passado, e no dia seguinte ao mesmo tempo em que terminava de digitar as conversas esparsas que teve com o moço dos olhos...
Nenhum comentário:
Postar um comentário