sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Dia dos namorados

Andava na rua desatenta, apesar de ficar reparando detalhes insólitos da rua, árvores, chão, pessoas, e outras coisas que aparecessem em sua frente. Chega ao ponto, senta, alguns estudantes em pé, um sentado uma senhora de jaleco verde e sombrinha estampada. Pega sua agenda - que dia é hoje, o que terei para fazer? - olha, dia 12...
Uma sensação esquisita, talvez causada pela midiatização em massa de propagandas para namorados e produtos diversos. E a lembrança dos últimos dias, que até tentou "alugar" - roubar, passar um dia com um amigo - para não ter que pensar nessas questões idiotas.
É bem possível que ele tenha interpretado mal, mas não importa para ela, se tem uma pessoa que entende de descompassos inocentes e divertidos na vida é ela. Tem o dom como poucas pessoas de aumentar e diminuir o fluxo da vida em prol da necessidade como bem entende. E assim aproveita a intensidade que o dia ou suas vontades lhe oferecem.
Ela menina, bem que tenta passar isso para os outros, mas muitos poucos entendem bem o fator intensidade, profundidade que a vida proporciona em sentir e é claro agir. Conversa com desconhecidos, com pacientes, com alunos, com colegas, com amigos. Mas a média de gente que para para escutar ao outro também anda escassa. Situação difícil, mas fazer o que? é a vida, cada um em seu ritmo.
Hoje um dia comum, já se esticou, já dançou, solfejou, estudou, fez uma refeição e cuidou da harmonia do dia, pois sim legal. Mas ela também foi fazer um programa diferente ventosas, para tirar a tenção, sua energia estava pela metade, o que ajudou a equilibrá-la mais ainda e ainda encontrou uma amiga no ônibus. Mas está ali parada na parada de ônibus pensando - Hoje é dia dos namorados, isso tem algum significado para mim? - E percebe que sim...
Não que ela precise de um namorado para estar feliz, mas ela tem um namorado, que está em constante sintonia com ela, até nos erros, mas que ele insiste em negar isso dele mesmo. Porque está num momento de adquirir novas experiências, os dois se reconheceram, simples assim quando se viram. Mas vivem jogando, vivem jogando quem vai fazer o que, para afetar de alguma forma o outro. E até quando ele insiste em se manter afastado, ela sente exatamente onde ele está e o que está fazendo, ligação cigana. E ela se pergunta nessas horas porque sabe de tantas coisas a seu respeito, mas a única resposta que seu inconsciente lhe traz é - é porque esse ciclo ainda não terminou - e isso a intriga...
Daí nesse dia tão "significativo" ou não, ela imagina quantas pessoas soltas no mundo insistem em ficar separadas uns dos outros, por simples teimosia ou manha, quando aprenderiam e realizariam muito mais fazendo o que deveria ser feito quando o sentimento e envolvimento nos chega ao acaso. Viver e deixar fluir, sem negar pelos atos o sentimento, sem resistência. Coisa estranha esse bicho homem e bicho mulher ( para minhas amiguinhas feministas, que estão com toda a razão em defender seus ideais...rs)Perdem tanto tempo com coisas inúteis que esquece de viver, de sentir às vezes...
Nessa hora o ônibus chega ela fecha a agenda, nada que estava escrito ali, era realmente importante, mas não importa muito, o fluxo segue a caminho do norte...rs e é para lá que está se direcionando agora...

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