Descobri essa banda e adorei, principalemente por essa música:
http://www.esnips.com//doc/4bbbba91-127c-42e3-9fff-7060b6f91707/Espelhos-Quebrados---Radio-de-Outono.mp3
Banda já consolidada no cenário pop recifense e nordestino, tendo já participado de festivais de peso como o Rec Beat 2005, Abril pro Rock 2005 (quando foi selecionada como um das finalistas para a etapa nordestina do “Claro que é Rock”) e MADA (Natal), a Rádio de Outono finalmente lança seu disco de estréia, que leva o nome do grupo. E nele encontramos algo raro no circuito nacional: uma banda que consegue aliar repertório com potencial radiofônico e de extrema qualidade artística. Tendo como referência nomes como Mutantes, Beach Boys, Pato Fu e Gang 90, a Rádio de Outono bebe na fonte dos anos 60 e, ao mesmo tempo, obtém um resultado extremamente criativo, delineando uma identidade forte, uma sonoridade bem resolvida e um apuro e capricho nas letras difíceis de encontrar por aí.
Um bom exemplo do cuidado textual pode ser verificado em “Eu Sou o Tao”, música que contém versos aprimorados como “Minha bússola se chama intuição/ É lógico que a lógica vive em contradição/ Sem me preocupar com o que vier depois/ Vivo minha história, sem glamour nem glória/ vela içada ao mundo de nós dois”.Outra peculiaridade que acentua a inventividade da Rádio de Outono é a ausência de guitarra em seu trabalho, o que acaba ressaltando seu potencial pop, provando que é possível fazer rock sem tal instrumento.
Gravado no estúdio Mr. Mouse, no Recife, todas as músicas deste disco poderiam facilmente entrar na programação das rádios. E todas são inteligentes, líricas e sinceras. Num mundo perverso e cínico como o da indústria cultural do setor da música, a Rádio de Outono vem fornecer um combustível essencial e em falta nessa área: a sinceridade. Eis um trabalho sincero em sua essência. Marcado pelos teclados de Dídimo Vieira, pela voz doce de Bárbara Jones - que por vezes faz dueto com a do baterista Gleisson Jones - é um trabalho que cativa e emociona, como no lirismo das faixas “Velha Página” (baseada em poema de Olavo Bilac) e na doçura escancarada de “Fim”. Um “Mutantes” em formato absolutamente desconstruído abre o disco com “Além da Razão”. “Sabe Tudo” possui uma letra que prima pela inteligência e ironia, tudo bem embalado num balanço totalmente anos 60. “Lady Básbara” prova que o lírico e o popular não são antagônicos, e “Só o Pó” é um desabafo que mostra uma faceta mais pesada do grupo.Temos um disco de estréia que consegue registrar todas as saudáveis dualidades que a Rádio de Outono costuma transmitir em suas apresentações: suavidade/agressividade, pop/inteligência, relaxamento/comprometimento, simplicidade/complexidade. Eis uma banda que, em seu primeiro trabalho, revela todo o seu potencial estético/artístico ao quebrar a fronteira entre o entretenimento e a arte.
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