domingo, 23 de setembro de 2007

Primavera

Ola meus caríssimos como viram o último depoimento foi uma poesia de um amigo q achei bonita...rs

Primavera chegou e com ela meu amor...pela vida que floresce nessa época...a criatividade fica aguçada e os projetos voam de tanta rapidez com que a vontade de realizá-los traz...Pois sim começo novos e interessantíssimos projetos que deixarei aqui alguns resquicios brevemente...Na luta das palavras por causas que não lhe dizem respeito mas que influem em tudo...

tema de hoje flres flores flores, aidna que sejam flores tristes

Flores (Genildo Mota Nunes)

Não quero que a vida
Me pegue na estrada
Qual folha caída,
Perdida no vento.

Nem quero que o tempo
A correr lá fora
Nas asas da tarde
Me faça partir.

Há um desejo estranho
De sonho e de luzes
Nos olhos da face
De quem quer viver.

E a flor despetala
Nas mãos de quem perde
Por força dos fatos
A vez de sorrir.

Por isso é que tento
Compondo meus versos
Ouvir nos espaços
As vozes do ser...

Vagar pelas tardes
E pelos canteiros
No pólen das almas
Que podem sentir.

Primavera (Olavo Bilac)

Ah! quem nos dera que isso, como outrora,
inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
que inda juntos pudessemos agora
ver o desabrochar da primavera!

Saíamos com os passaros e a aurora,
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"

E esse corpo de rosa recendia,e
aos meus beijos de fogo palpitava,
alquebrado de amor e de cansaco....

A alma da terra gorjeava e ria...
Nascia a primavera...E eu te levava,
primavera de carne, pelo braço!

Nos Bosques, Perdido (Pablo Neruda)

Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos labios, sedento, levante seu sussurro
:era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coração partido.
Algo que de tão longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um gruto ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e úmida treva das folhas.
Porém ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avelã cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento
como se, repentinamente, estivessem me procurando as raízes
que abandonei, a terra perdida com minha infância,
e parei ferido pelo aroma errante.

Não o quero, amada
.Para que nada nos prenda
para que não nos una nada.
Nem a palavra que perfumou tua boca
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto à janela...

A Rosa de Hiroshima (Vinícius de Morais)

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

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