domingo, 7 de fevereiro de 2010
Clarice por Clarice
“Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto...”
Clarice Linspector - Biografia e Bibliografia
• 1920Clarice Lispector
- Nasce Clarice Lispector a 10 de dezembro em Tchetchelnik, aldeia da Ucrânia, filha de Marieta e Pedro Lispector.
• 1921
- Clarice Lispector chega ao Brasil com dois meses de idade, razão pela qual se considera muito mais brasileira do que russa,e vai residir em Maceió.
• 1924
- A família se transfere para Recife, onde Clarice passa a sua infância, em um prédio da Praça Maciel Pinheiro. Estuda no Grupo Escolar João Barbalho, passando daí para o Ginásio Pernambucano.
• 1930
- Falece sua mãe.
• 1933
- Pedro Lispector transfere-se com a família para o Rio de Janeiro, passando Clarice a estudar no Colégio Sílvio Leite. Nesse período lê bastante, não só a literatura romântica de Delly, como também as obras de escritores consagrados como Júlio Dinis, Eça de Queirós, José de Alencar e Dostoiewski.
• 1938
- Prepara-se, no Colégio Andrews, para ingressar na Faculdade de Direito.
- Nessa época, freqüenta uma pequena biblioteca de aluguel na Rua Rodrigo Silva, onde escolhe os livros pelo título. Descobre, ocasionalmente, a obra de Katherine Mansfield.
• 1940
- Entra para a Faculdade Nacional de Direito.
- Falece seu pai.
• 1941
- Redatora da Agência Nacional, trabalha ao lado de Lúcio Cardoso, que se tornaria um de seus melhores amigos.
• 1942
- Enquanto cursa a faculdade, começa a escrever seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem.
• 1943
- Trabalha em A Noite como redatora, indo depois para o Diário da Tarde, onde faz uma página feminina assinada por llka Soares.
- Naturaliza-se brasileira.
- Casa-se com o diplomata Mauri Gurgel Valente, em 23 janeiro.
• 1944
- Acompanha o marido a Nápoles. Nessa cidade presta ajuda a um hospital de soldados brasileiros.
- Começa a escrever O Lustre.
- Publica o primeiro livro, Perto do Coração Selvagem, pela editora A Noite. Neste mesmo ano o romance é laureado com o PrêmioGraça Aranha.
• 1946
- Publica, pela Agir, O Lustre.
• 1946
- Reside em Berna, de onde viaja para a Espanha.
• 1949
- França e Itália. Conhece Ungaretti e De Chirico.
• 1949
- Em 10 de setembro nasce, em Berna, seu primeiro filho, Pedro.
• 1950
- Regressa ao Rio de Janeiro.
• 1951
- Passa seis meses em Torkway, na Inglaterra, onde faz as primeiras anotações para A Maçã no Escuro.
• 1952
- Publica Alguns Contos.
- Escreve a crônica "Entre Mulheres" para a revista Comício, sob o pseudônimo de Teresa Quadros.
• 1952-1959
- Reside em Washington.
• 1953
- Em 10 fevereiro, nasce o segundo filho, Paulo.
• 1958-1959
- Colabora para a revista Senhor.
• 1959
- Separa-se do marido e passa a residir definitivamente, com os filhos, no Rio de Janeiro.
• 1959-1960
- Assina, sob o pseudônimo de Helen Palmer, a coluna "Feira de Utilidades", publicada no Correio da Manhã.
• 1962
- Recebe o Prêmio Carmem Dolores pelo romance A Maçã no Escuro.
• 1963
- Pronuncia, no Texas, a conferência "Literatura Atual no Brasil".
• 1967
- Fica gravemente ferida por causa de um incêndio em seu apartamento.
• 1967-1973
- Escreve crônica semanal, aos sábados, para o Jornal do Brasil.
• 1968
- Passa a integrar a Ordem da Calunga, da Campanha Nacional da Criança.
• 1969
- Recebe o prêmio Golfinho de Ouro.
• 1975
- Participa do 1º Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogotá, com o texto "Literature and Magic".
• 1977
- Publica uma série de entrevistas em Fatos e Fotos, sob o título de "Diálogos Possíveis com Clarice Lispector".
- Falece em 9 de dezembro.
Bibliografia
No Brasil:
•Alguns Contos. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1952.
• Água-Viva. Rio de Janeiro: Artenova, 1973.
• Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro: Sabiá, 1969.
• A Bela e a Fera. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.
• A Cidade Sitiada. Capa de Santa Rosa. Rio de Janeiro: A Noite, 1949.
Laços de família
• Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Fundação Museu da Imagem e do Som, 1991. (Depoimentos, 7).
• Clarice Lispector. Seleção de textos, notas, estudos biográfico, histórico e crítico e exercícios por Samira Youssel Campedelli e Benjamim Abdala Jr. São Paulo: Abril Educação, 1981.
• De Corpo Inteiro, Rio de Janeiro: Artenova, 1975.
• A Descoberta do Mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
• Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Sabiá, 1971.
• Laços de Família. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1960.
• A Legião Estrangeira. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1964.
• O Lustre. Capa de Santa Rosa. Rio de Janeiro: Agir, 1946.
• A Imitação da Rosa. Rio de Janeiro: Artenova, 1973.
• A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977.
• A Maçã no Escuro. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1961.
• O Mistério do Coelho Pensante. Uma Estória Policial para Crianças. Rio de Janeiro: José Álvaro, 1967.
• Mistério em São Cristóvão. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1952.
• A Mulher Que Matou os Peixes. Desenhos de Carlos Scliar. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.
• Onde Estivestes de Noite? Rio de Janeiro: Artenova, 1974.
• A Paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1964.
• A Paixão segundo G.H. Edição crítica coordenada por Benedito Nunes. Paris, Association Archieves de la Littérature Latino-Americaine, des Caraibes et Africaines du XXe. Siécle; Brasília: CNPQ, 1988.
• Para Não Esquecer. São Paulo: Ática, 1978.
• Perto do Coração Selvagem. Capa de Santa Rosa. Rio de Janeiro: A Noite, 1944.
• Quase Verdade. Rio de Janeiro: Rocco, 1967.
• Seleta. Seleção e texto-montagem de Renato Cordeiro Gomes. Estudos e notas de Amariles Guimarães Hill. Brasília: INL, 1975.
• Um Sopro de Vida. Pulsações. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.
• A Via Crucis do Corpo. Rio de Janeiro: Artenova, 1974.
• A Vida Íntima de Laura. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974.
• Visão do Esplendor. Impressões Leves. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.
No exterior:
• Água Viva. Traduit par Regina Helena de Oliveira Machado. Paris: Des Femmes, 1980.
• Der Apfel im Dunkeln [A Maçã no Escuro]. Deutsch von Curt Meyer-Clason. Hamburg: Claasen, 1964.
• Der Apfel im Dunkeln [A Maçã no Escuro]. Aus dem brasilianischen Portugiesisch von Curt Meyer-Clason. Frankfurt: Suhrkamp, 1983.
• Un Apprendistato o II Libro dei Piaceri. Traduzione e introduzione di Rita Desti; con una nota di Luciana Stegagno Picchio. Torino: La Rosa, 1981.
• Un Aprendizaje o El Libro de los Praceres. Traducción de Juan García Gayo. Buenos Aires: Sudamericana, 1973.
• The Appel in the Dark. Translated by Gregory Rabassa. London: Virago, 1985.
• Le Bâtisseur de Ruines [A Maçã no Escuro]. Traduit du brésilien par Violante do Canto. Paris: Gallimard, 1970.
• Blizko divokého srdce zivota [Perto do Coração Selvagem]. Prelozila Pavla Lidmilová. Praha: Odeon, 1973.
• La Belle et la Bête [A Bela e a Fera] suivi de Passion des Corps [A Via Crucis do Corpo]. Traduit par Claude Farny. Paris, Des Femmes, 1985.
• Cerca del Corazón Salvaje. Traducción de Basilio Losada. Madrid: Alfaguara, 1977.
• Discovering the World. Translated and introduced by Giovanni Pontiero. Manchester: Carcanet, 1992.
• Eine Lehre oder Das Buch der Lüste [Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres]. Aus dem brasilianischen Portugiesisch von Christiane Schrübbers. Berlim: Lilith, 1982.
• Family Ties. Translated by Giovanni Pontiero. Austin: University of Texas, 1984.
• The Foreign Legion. Stories and Chronicles. Translated by Giovanni Pontiero. Manchester: Carcanet, 1986.
• L'Heure de l'Étoile. Traduit par Marguerite Wuncher. Paris: Des Femmes, 1984.
• The Hour of the Star. Translated by Giovanni Pontiero. Manchester: Carcanet, 1986.
• Liens de Famille. Traduit par Jacques et Teresa Thiérot. Paris: Des Femmes, 1989.
• Le Lustre. Traduit par Jacques et Teresa Thiérot. Paris: Des Femmes, 1990.
• La Manzana en la Oscuridad. Traducción de Juan García Gayo. Buenos Aires: Sudamericana, 1974.
• Die Nachahmung der Rose [A Imitaçâo da Rosa]. Übertragung aus dem Brasilianischen und Nachwort von Curt Meyer-Clason. Frankfurt: Suhrkamp, 1982.
• Nahe dem wilden Herzen [Perto do Coração Selvagem]. Aus dem brasilianischen Portugiesisch von Ray-Güde Mertin. Frankfurt: Suhrkamp, 1983.
• Near to the Wild Heart. Translated by Giovanni Pontiero. Manchester: Carcanet, 1990.
• Okmzik pro hvezdu [A Hora da Estrela]. In: Pet brazilsky'ch novel. Praha: Odeon, 1981.
• Où Etais-tu pendant la Nuit? Traduit par Genevive Leibrich et Nicole Biros. Paris: Des Femmes, 1985.
• La Passion selon G.H. Traduit par Claude Farny. Paris: Des Femmes, 1978.
• La Passione secondo G.H. Traduit par Adelina Alletti; con una nota di Angelo Morino. Torino: La Rosa, 1982.
• Près du Coeur Sauvage. Traduit par Denise Teresa Moutonnier. Paris: Plon, 1954.
• Près du Coeur Sauvage. Traduit par Regina Helena de Oliveira Machado. Paris: Des Femmes, 1981.
Traduções:
Bibliografia
• CHRISTIE, Agatha. A Carga. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1974.
_____. Cai o Pano. O Último Caso de Hercule Poirot. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s.d.
• CHAGALL, Bela. Luzes Acesas. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1975.
• CRENSHAW, Mary Ann. A Receita Natural para Ser Bonita. Rio de Janeiro: Artenova, 1975.
• LAINÉ, Pascal. A Rendeira. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
• MACLEAN, Alistair. A Segunda Aurora. s.n.t.
• MENNINGER, Karl. O Pecado de Nossa Época. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975.
• POE, E. Allan. O Gato Preto e Outras Histórias de Allan Poe. Rio de Janeiro: Ed. de Ouro, s.
- Nasce Clarice Lispector a 10 de dezembro em Tchetchelnik, aldeia da Ucrânia, filha de Marieta e Pedro Lispector.
• 1921
- Clarice Lispector chega ao Brasil com dois meses de idade, razão pela qual se considera muito mais brasileira do que russa,e vai residir em Maceió.
• 1924
- A família se transfere para Recife, onde Clarice passa a sua infância, em um prédio da Praça Maciel Pinheiro. Estuda no Grupo Escolar João Barbalho, passando daí para o Ginásio Pernambucano.
• 1930
- Falece sua mãe.
• 1933
- Pedro Lispector transfere-se com a família para o Rio de Janeiro, passando Clarice a estudar no Colégio Sílvio Leite. Nesse período lê bastante, não só a literatura romântica de Delly, como também as obras de escritores consagrados como Júlio Dinis, Eça de Queirós, José de Alencar e Dostoiewski.
• 1938
- Prepara-se, no Colégio Andrews, para ingressar na Faculdade de Direito.
- Nessa época, freqüenta uma pequena biblioteca de aluguel na Rua Rodrigo Silva, onde escolhe os livros pelo título. Descobre, ocasionalmente, a obra de Katherine Mansfield.
• 1940
- Entra para a Faculdade Nacional de Direito.
- Falece seu pai.
• 1941
- Redatora da Agência Nacional, trabalha ao lado de Lúcio Cardoso, que se tornaria um de seus melhores amigos.
• 1942
- Enquanto cursa a faculdade, começa a escrever seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem.
• 1943
- Trabalha em A Noite como redatora, indo depois para o Diário da Tarde, onde faz uma página feminina assinada por llka Soares.
- Naturaliza-se brasileira.
- Casa-se com o diplomata Mauri Gurgel Valente, em 23 janeiro.
• 1944
- Acompanha o marido a Nápoles. Nessa cidade presta ajuda a um hospital de soldados brasileiros.
- Começa a escrever O Lustre.
- Publica o primeiro livro, Perto do Coração Selvagem, pela editora A Noite. Neste mesmo ano o romance é laureado com o PrêmioGraça Aranha.
• 1946
- Publica, pela Agir, O Lustre.
• 1946
- Reside em Berna, de onde viaja para a Espanha.
• 1949
- França e Itália. Conhece Ungaretti e De Chirico.
• 1949
- Em 10 de setembro nasce, em Berna, seu primeiro filho, Pedro.
• 1950
- Regressa ao Rio de Janeiro.
• 1951
- Passa seis meses em Torkway, na Inglaterra, onde faz as primeiras anotações para A Maçã no Escuro.
• 1952
- Publica Alguns Contos.
- Escreve a crônica "Entre Mulheres" para a revista Comício, sob o pseudônimo de Teresa Quadros.
• 1952-1959
- Reside em Washington.
• 1953
- Em 10 fevereiro, nasce o segundo filho, Paulo.
• 1958-1959
- Colabora para a revista Senhor.
• 1959
- Separa-se do marido e passa a residir definitivamente, com os filhos, no Rio de Janeiro.
• 1959-1960
- Assina, sob o pseudônimo de Helen Palmer, a coluna "Feira de Utilidades", publicada no Correio da Manhã.
• 1962
- Recebe o Prêmio Carmem Dolores pelo romance A Maçã no Escuro.
• 1963
- Pronuncia, no Texas, a conferência "Literatura Atual no Brasil".
• 1967
- Fica gravemente ferida por causa de um incêndio em seu apartamento.
• 1967-1973
- Escreve crônica semanal, aos sábados, para o Jornal do Brasil.
• 1968
- Passa a integrar a Ordem da Calunga, da Campanha Nacional da Criança.
• 1969
- Recebe o prêmio Golfinho de Ouro.
• 1975
- Participa do 1º Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogotá, com o texto "Literature and Magic".
• 1977
- Publica uma série de entrevistas em Fatos e Fotos, sob o título de "Diálogos Possíveis com Clarice Lispector".
- Falece em 9 de dezembro.
Bibliografia
No Brasil:
•Alguns Contos. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1952.
• Água-Viva. Rio de Janeiro: Artenova, 1973.
• Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro: Sabiá, 1969.
• A Bela e a Fera. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.
• A Cidade Sitiada. Capa de Santa Rosa. Rio de Janeiro: A Noite, 1949.
Laços de família
• Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Fundação Museu da Imagem e do Som, 1991. (Depoimentos, 7).
• Clarice Lispector. Seleção de textos, notas, estudos biográfico, histórico e crítico e exercícios por Samira Youssel Campedelli e Benjamim Abdala Jr. São Paulo: Abril Educação, 1981.
• De Corpo Inteiro, Rio de Janeiro: Artenova, 1975.
• A Descoberta do Mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
• Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Sabiá, 1971.
• Laços de Família. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1960.
• A Legião Estrangeira. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1964.
• O Lustre. Capa de Santa Rosa. Rio de Janeiro: Agir, 1946.
• A Imitação da Rosa. Rio de Janeiro: Artenova, 1973.
• A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977.
• A Maçã no Escuro. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1961.
• O Mistério do Coelho Pensante. Uma Estória Policial para Crianças. Rio de Janeiro: José Álvaro, 1967.
• Mistério em São Cristóvão. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1952.
• A Mulher Que Matou os Peixes. Desenhos de Carlos Scliar. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.
• Onde Estivestes de Noite? Rio de Janeiro: Artenova, 1974.
• A Paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1964.
• A Paixão segundo G.H. Edição crítica coordenada por Benedito Nunes. Paris, Association Archieves de la Littérature Latino-Americaine, des Caraibes et Africaines du XXe. Siécle; Brasília: CNPQ, 1988.
• Para Não Esquecer. São Paulo: Ática, 1978.
• Perto do Coração Selvagem. Capa de Santa Rosa. Rio de Janeiro: A Noite, 1944.
• Quase Verdade. Rio de Janeiro: Rocco, 1967.
• Seleta. Seleção e texto-montagem de Renato Cordeiro Gomes. Estudos e notas de Amariles Guimarães Hill. Brasília: INL, 1975.
• Um Sopro de Vida. Pulsações. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.
• A Via Crucis do Corpo. Rio de Janeiro: Artenova, 1974.
• A Vida Íntima de Laura. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974.
• Visão do Esplendor. Impressões Leves. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.
No exterior:
• Água Viva. Traduit par Regina Helena de Oliveira Machado. Paris: Des Femmes, 1980.
• Der Apfel im Dunkeln [A Maçã no Escuro]. Deutsch von Curt Meyer-Clason. Hamburg: Claasen, 1964.
• Der Apfel im Dunkeln [A Maçã no Escuro]. Aus dem brasilianischen Portugiesisch von Curt Meyer-Clason. Frankfurt: Suhrkamp, 1983.
• Un Apprendistato o II Libro dei Piaceri. Traduzione e introduzione di Rita Desti; con una nota di Luciana Stegagno Picchio. Torino: La Rosa, 1981.
• Un Aprendizaje o El Libro de los Praceres. Traducción de Juan García Gayo. Buenos Aires: Sudamericana, 1973.
• The Appel in the Dark. Translated by Gregory Rabassa. London: Virago, 1985.
• Le Bâtisseur de Ruines [A Maçã no Escuro]. Traduit du brésilien par Violante do Canto. Paris: Gallimard, 1970.
• Blizko divokého srdce zivota [Perto do Coração Selvagem]. Prelozila Pavla Lidmilová. Praha: Odeon, 1973.
• La Belle et la Bête [A Bela e a Fera] suivi de Passion des Corps [A Via Crucis do Corpo]. Traduit par Claude Farny. Paris, Des Femmes, 1985.
• Cerca del Corazón Salvaje. Traducción de Basilio Losada. Madrid: Alfaguara, 1977.
• Discovering the World. Translated and introduced by Giovanni Pontiero. Manchester: Carcanet, 1992.
• Eine Lehre oder Das Buch der Lüste [Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres]. Aus dem brasilianischen Portugiesisch von Christiane Schrübbers. Berlim: Lilith, 1982.
• Family Ties. Translated by Giovanni Pontiero. Austin: University of Texas, 1984.
• The Foreign Legion. Stories and Chronicles. Translated by Giovanni Pontiero. Manchester: Carcanet, 1986.
• L'Heure de l'Étoile. Traduit par Marguerite Wuncher. Paris: Des Femmes, 1984.
• The Hour of the Star. Translated by Giovanni Pontiero. Manchester: Carcanet, 1986.
• Liens de Famille. Traduit par Jacques et Teresa Thiérot. Paris: Des Femmes, 1989.
• Le Lustre. Traduit par Jacques et Teresa Thiérot. Paris: Des Femmes, 1990.
• La Manzana en la Oscuridad. Traducción de Juan García Gayo. Buenos Aires: Sudamericana, 1974.
• Die Nachahmung der Rose [A Imitaçâo da Rosa]. Übertragung aus dem Brasilianischen und Nachwort von Curt Meyer-Clason. Frankfurt: Suhrkamp, 1982.
• Nahe dem wilden Herzen [Perto do Coração Selvagem]. Aus dem brasilianischen Portugiesisch von Ray-Güde Mertin. Frankfurt: Suhrkamp, 1983.
• Near to the Wild Heart. Translated by Giovanni Pontiero. Manchester: Carcanet, 1990.
• Okmzik pro hvezdu [A Hora da Estrela]. In: Pet brazilsky'ch novel. Praha: Odeon, 1981.
• Où Etais-tu pendant la Nuit? Traduit par Genevive Leibrich et Nicole Biros. Paris: Des Femmes, 1985.
• La Passion selon G.H. Traduit par Claude Farny. Paris: Des Femmes, 1978.
• La Passione secondo G.H. Traduit par Adelina Alletti; con una nota di Angelo Morino. Torino: La Rosa, 1982.
• Près du Coeur Sauvage. Traduit par Denise Teresa Moutonnier. Paris: Plon, 1954.
• Près du Coeur Sauvage. Traduit par Regina Helena de Oliveira Machado. Paris: Des Femmes, 1981.
Traduções:
Bibliografia
• CHRISTIE, Agatha. A Carga. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1974.
_____. Cai o Pano. O Último Caso de Hercule Poirot. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s.d.
• CHAGALL, Bela. Luzes Acesas. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1975.
• CRENSHAW, Mary Ann. A Receita Natural para Ser Bonita. Rio de Janeiro: Artenova, 1975.
• LAINÉ, Pascal. A Rendeira. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
• MACLEAN, Alistair. A Segunda Aurora. s.n.t.
• MENNINGER, Karl. O Pecado de Nossa Época. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975.
• POE, E. Allan. O Gato Preto e Outras Histórias de Allan Poe. Rio de Janeiro: Ed. de Ouro, s.
Entrevista sobre gatos
Porque uma auto entrevista sobre gatos?
Porque é um animal que merece ser valorizado e comentado ainda que seja numa autoentrevista.
As pessoas normalmente preferem cachorros, porque você prefere gatos?
Tem uma frase que explica bem esse meu sentimento: "Prefiro os gatos aos cachorros porque quando chingo e peço pra ficar sozinho, o gato não volta com o rabo abanando". Ou seja gatos são mais espertos e inteligentes.
E quanto às ofensas que as pessoas normalmente atribuem aos gatos? Metido, falso, não é carinhoso, arisco, interesseiro.
Pra saber lidar com os gatos é necessário ter a consciência de que você precisa conquistá-lo, ele não é idiota e carente a ponto de ficar fazendo gracinhas pra você a troco de nada. Se um gato percebe que você não é amigo, ele vai se afastar de você. Ele não é falso nem interesseiro, mas outro erro de criação normalmente é tratar os animais como seres burros e como propriedades sua. Se vc for estupido e interesseiro, no sentido de só se aproximar do bichinho quando quer atenção. Ele vai agir da mesma maneira com você. É preciso ter consciência de que apesar de ser um animal, os animais de estimação tem vontades e necessidades que precisam ser respeitadas. Arisco também é outro erro de criação ser rigido com um gato significa perde-lo para outro dono. Quando ele tiver oportunidade vai sair de sua casa e se for adotado tem a possibilidade de adotar esse novo dono.
Há quanto tempo o gato é bicho de estimação?
Os gatos tem uma longa história, adorados como deuses e enviados dos céus no egito chegaram a ser considerados demônios na idade média. Foi nesse periodo que surgiu a história de gatos com "bruxas" e o mito do gato preto. Mas institucionalizou-se mesmo como animal de estimação só nos fins do século dezoito para o início do século dezenove.
Quantas raças existem atualmente?
Provavelmente entre 1.000 e 1.500. O processo de criação de raças começou a pouco mais de um século, então o número de raças descobertas ainda são incertas.
A qual família biológica os gatos pertencem?
À família dos felídios na subdivisão da família felinae, na divisão dos gatos selvagens. Porque é o seguinte: Os felídeos se subdividem em taxonomia indeterminada(chitas), subfamilia patherinae(Linhagem da pantera), e a subfamília felinae (que se dividem entre gatos selvagens, ocelotes, e também a linhagem da pantera), e os gatos domésticos fazem parte do grupo dos gatos selvagens.
Como assim grupo dos gatos selvagens?
O grupo dos gatos selvagens tem como maior representante o gato selvagem africano que pode pesar até 16 kg. Mas tem como membros do grupo Gato de Pallas, Gato do mato, Gato Pardo, Gato-de Savana, Gato do deserto chinês, Gato selvagem e o gato doméstico.
Mas você acha então que gato é o melhor animal de estimação para uma pessoa ter?
Depende da pessoa. Todo animal tem seu espaço e merece respeito. E cada pessoa combina com um tipo de animal. Mas o que acho é que é injusta a fama que atribuem aos gatos. Eles são animais carinhosos, respeitadores e leais.
Quantos animais de estimação vc já teve?
No total? xD
2 porquinhos da índia, 1 hamster, 1 maritaca, 7 cachorros, 3 coelhos e aproximadamente 92, mas isso durante toda a vida.
Bom é isso, tenham animais de estimação
xD
Porque é um animal que merece ser valorizado e comentado ainda que seja numa autoentrevista.
As pessoas normalmente preferem cachorros, porque você prefere gatos?
Tem uma frase que explica bem esse meu sentimento: "Prefiro os gatos aos cachorros porque quando chingo e peço pra ficar sozinho, o gato não volta com o rabo abanando". Ou seja gatos são mais espertos e inteligentes.
E quanto às ofensas que as pessoas normalmente atribuem aos gatos? Metido, falso, não é carinhoso, arisco, interesseiro.
Pra saber lidar com os gatos é necessário ter a consciência de que você precisa conquistá-lo, ele não é idiota e carente a ponto de ficar fazendo gracinhas pra você a troco de nada. Se um gato percebe que você não é amigo, ele vai se afastar de você. Ele não é falso nem interesseiro, mas outro erro de criação normalmente é tratar os animais como seres burros e como propriedades sua. Se vc for estupido e interesseiro, no sentido de só se aproximar do bichinho quando quer atenção. Ele vai agir da mesma maneira com você. É preciso ter consciência de que apesar de ser um animal, os animais de estimação tem vontades e necessidades que precisam ser respeitadas. Arisco também é outro erro de criação ser rigido com um gato significa perde-lo para outro dono. Quando ele tiver oportunidade vai sair de sua casa e se for adotado tem a possibilidade de adotar esse novo dono.
Há quanto tempo o gato é bicho de estimação?
Os gatos tem uma longa história, adorados como deuses e enviados dos céus no egito chegaram a ser considerados demônios na idade média. Foi nesse periodo que surgiu a história de gatos com "bruxas" e o mito do gato preto. Mas institucionalizou-se mesmo como animal de estimação só nos fins do século dezoito para o início do século dezenove.
Quantas raças existem atualmente?
Provavelmente entre 1.000 e 1.500. O processo de criação de raças começou a pouco mais de um século, então o número de raças descobertas ainda são incertas.
A qual família biológica os gatos pertencem?
À família dos felídios na subdivisão da família felinae, na divisão dos gatos selvagens. Porque é o seguinte: Os felídeos se subdividem em taxonomia indeterminada(chitas), subfamilia patherinae(Linhagem da pantera), e a subfamília felinae (que se dividem entre gatos selvagens, ocelotes, e também a linhagem da pantera), e os gatos domésticos fazem parte do grupo dos gatos selvagens.
Como assim grupo dos gatos selvagens?
O grupo dos gatos selvagens tem como maior representante o gato selvagem africano que pode pesar até 16 kg. Mas tem como membros do grupo Gato de Pallas, Gato do mato, Gato Pardo, Gato-de Savana, Gato do deserto chinês, Gato selvagem e o gato doméstico.
Mas você acha então que gato é o melhor animal de estimação para uma pessoa ter?
Depende da pessoa. Todo animal tem seu espaço e merece respeito. E cada pessoa combina com um tipo de animal. Mas o que acho é que é injusta a fama que atribuem aos gatos. Eles são animais carinhosos, respeitadores e leais.
Quantos animais de estimação vc já teve?
No total? xD
2 porquinhos da índia, 1 hamster, 1 maritaca, 7 cachorros, 3 coelhos e aproximadamente 92, mas isso durante toda a vida.
Bom é isso, tenham animais de estimação
xD
O dia em que nasci moura e pereça,
O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
Luis Vaz de Camões
Poeta português. As informações sobre a sua biografia são relativamente escassas e pouco seguras, apoiando-se num número limitado de documentos e breves referências dos seus contemporâneos. A própria data do seu nascimento, assim como o local, é incerta, tendo sido deduzida a partir de uma Carta de Perdão real de 1553. A sua família teria ascendência galega, embora se tenha fixado em Portugal séculos antes. Pensa-se que estudou em Coimbra, mas não se conserva qualquer registo seu nos arquivos universitários.
Serviu como soldado em Ceuta, por volta de 1549-1551, aí perdendo um olho. Em 1552, de regresso a Lisboa, esteve preso durante oito meses por ter ferido, numa rixa, Gonçalo Borges, um funcionário da corte. Data do ano seguinte a referida Carta de Perdão, ligada a essa ocorrência. Nesse mesmo ano, seguiu para a Índia. Nos anos seguintes, serviu no Oriente, ora como soldado, ora como funcionário, pensando-se que esteve mesmo em território chinês, onde teria exercido o cargo de Provedor dos Defuntos e Ausentes, a partir de 1558. Em 1560 estava de novo em Goa, convivendo com algumas das figuras importantes do seu tempo (como o vice-rei D. Francisco Coutinho ou Garcia de Orta). Em 1569 iniciou o regresso a Lisboa. No ano seguinte, o historiador Diogo do Couto, amigo do poeta, encontrou-o em Moçambique, onde vivia na penúria. Juntamente com outros antigos companheiros, conseguiu o seu regresso a Portugal, onde desembarcou em 1570. Dois anos depois, D. Sebastião concedeu-lhe uma tença, recompensando os seus serviços no Oriente e o poema épico que entretanto publicara, Os Lusíadas. Camões morreu a 10 de Junho de 1580, ao que se diz, na miséria. No entanto, é difícil distinguir aquilo que é realidade, daquilo que é mito e lenda romântica, criados em torno da sua vida.
Da obra de Camões foram publicados, em vida do poeta, três poemas líricos, uma ode ao Conde de Redondo, um soneto a D. Leonis Pereira, capitão de Malaca, e o poema épico Os Lusíadas. Foram ainda representadas as peças teatrais Comédia dos Anfitriões, Comédia de Filodemo e Comédia de El-Rei Seleuco. As duas primeiras peças foram publicadas em 1587 e a terceira, apenas em 1645, integrando o volume das Rimas de Luís de Camões, compilação de poesias líricas antes dispersas por cancioneiros, e cuja atribuição a Camões foi feita, em alguns casos, sem critérios rigorosos. Um volume que o poeta preparou, intitulado Parnaso, foi-lhe roubado.
Na poesia lírica, constituída por redondilhas, sonetos, canções, odes, oitavas, tercetos, sextinas, elegias e éclogas, Camões conciliou a tradição renascentista (sob forte influência de Petrarca, no soneto) com alguns aspectos maneiristas. Noutras composições, aproveitou elementos da tradição lírica nacional, numa linha que vinha já dos trovadores e da poesia palaciana, como por exemplo nas redondilhas «Descalça vai para a fonte» (dedicadas a Lianor), «Perdigão perdeu a pena», ou «Aquela cativa» (que dedicou a uma sua escrava negra). É no tom pessoal que conferiu às tendências de inspiração italiana e na renovação da lírica mais tradicional que reside parte do seu génio.
Na poesia lírica avultam os poemas de temática amorosa, em que se tem procurado solução para as muitas lacunas em relação à vida e personalidade do poeta. É o caso da sua relação amorosa com Dinamene, uma amada chinesa que surge em alguns dos seus poemas, nomeadamente no conhecido soneto «Alma minha gentil que te partiste», ou de outras composições, que ilustram a sua experiência de guerra e do Oriente, como a canção «Junto dum seco, duro, estéril monte».
No tratamento dado ao tema do amor é possível encontrar, não apenas a adopção do conceito platónico do amor (herdado da tradição cristã e da tradição e influência petrarquista) com os seus princípios básicos de identificação do sujeito com o objecto de amor («Transforma-se o amador na cousa amada»), de anulação do desejo físico («Pede-me o desejo, Dama, que vos veja / Não entende o que pede; está enganado.») e da ausência como forma de apurar o amor, mas também o conflito com a vivência sensual desse mesmo amor. Assim, o amor surge, à maneira petrarquista, como fonte de contradições, tão bem expressas no justamente célebre soneto «Amor é fogo que arde sem se ver», entre a vida e a morte, a água e o fogo, a esperança e o desengano, inefável, mas, assim mesmo, fundamental à vida humana. A concepção da mulher, outro tema essencial da lírica camoniana, em íntima ligação com a temática amorosa e com o tratamento dado à natureza (que, classicamente vista como harmoniosa e amena, a ela se associa, como fonte de imagens e metáforas, como termo comparativo de superlativação da beleza da mulher, e, à maneira das cantigas de amigo, como cenário e/ou confidente do drama amoroso), oscila igualmente entre o pólo platónico (ideal de beleza física, espelho da beleza interior, manifestação no mundo sensível da Beleza do mundo inteligível), representado pelo modelo de Laura, que é predominante (vejam-se a propósito os sonetos «Ondados fios de ouro reluzente» e «Um mover d'olhos, brando e piedoso»), e o modelo renascentista de Vénus.
Temas mais abstractos como o do desconcerto do mundo (expresso no soneto «Verdade, Amor, Razão, Merecimento» ou na esparsa «Os bons vi sempre passar/no mundo graves tormentos»), a passagem inexorável do tempo com todas as mudanças implicadas, sempre negativas do ponto de vista pessoal (como observa Camões no soneto «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades»), as considerações de ordem autobiográfica (como nos sonetos «Erros meus, má fortuna, amor ardente» ou «O dia em que eu nasci, moura e pereça», que transmitem a concepção desesperançada, pessimista, da vida própria), são outros temas dominantes da poesia lírica de Camões.
No entanto, foi com Os Lusíadas que Camões, embora postumamente, alcançou a glória. Poema épico, seguindo os modelos clássicos e renascentistas, pretende fixar para a posteridade os grandes feitos dos portugueses no Oriente. Aproveitando a mitologia greco-romana, fundindo-a com elementos cristãos, o que, na época, e mesmo mais tarde, gerou alguma controvérsia, Camões relata a viagem de Vasco da Gama, tomando-a como pretexto para a narração da história de Portugal, intercalando episódios narrativos com outros de cariz mais lírico, como é o caso do da «Linda Inês». Os Lusíadas vieram a ser considerados o grande poema épico nacional. Toda a obra de Camões, de resto, influenciou a posterior literatura portuguesa, de forma particular durante o Romantismo, criando muitos mitos ligados à sua vida, mas também noutras épocas, inclusivamente a actual. No século XIX, alguns escritores e pensadores realistas colaboraram na preparação das comemorações do terceiro centenário da sua morte, pretendendo que a figura de Camões permitisse uma renovação política e espiritual de Portugal.
Amplamente traduzido e admirado, é considerado por muitos a figura cimeira da língua e da literatura portuguesas. São suas a colectânea das Rimas (1595, obra lírica), o Auto dos Anfitriões, o Auto de Filodemo (1587), o Auto de El-Rei Seleuco (1645) e Os Lusíadas (1572).
Serviu como soldado em Ceuta, por volta de 1549-1551, aí perdendo um olho. Em 1552, de regresso a Lisboa, esteve preso durante oito meses por ter ferido, numa rixa, Gonçalo Borges, um funcionário da corte. Data do ano seguinte a referida Carta de Perdão, ligada a essa ocorrência. Nesse mesmo ano, seguiu para a Índia. Nos anos seguintes, serviu no Oriente, ora como soldado, ora como funcionário, pensando-se que esteve mesmo em território chinês, onde teria exercido o cargo de Provedor dos Defuntos e Ausentes, a partir de 1558. Em 1560 estava de novo em Goa, convivendo com algumas das figuras importantes do seu tempo (como o vice-rei D. Francisco Coutinho ou Garcia de Orta). Em 1569 iniciou o regresso a Lisboa. No ano seguinte, o historiador Diogo do Couto, amigo do poeta, encontrou-o em Moçambique, onde vivia na penúria. Juntamente com outros antigos companheiros, conseguiu o seu regresso a Portugal, onde desembarcou em 1570. Dois anos depois, D. Sebastião concedeu-lhe uma tença, recompensando os seus serviços no Oriente e o poema épico que entretanto publicara, Os Lusíadas. Camões morreu a 10 de Junho de 1580, ao que se diz, na miséria. No entanto, é difícil distinguir aquilo que é realidade, daquilo que é mito e lenda romântica, criados em torno da sua vida.
Da obra de Camões foram publicados, em vida do poeta, três poemas líricos, uma ode ao Conde de Redondo, um soneto a D. Leonis Pereira, capitão de Malaca, e o poema épico Os Lusíadas. Foram ainda representadas as peças teatrais Comédia dos Anfitriões, Comédia de Filodemo e Comédia de El-Rei Seleuco. As duas primeiras peças foram publicadas em 1587 e a terceira, apenas em 1645, integrando o volume das Rimas de Luís de Camões, compilação de poesias líricas antes dispersas por cancioneiros, e cuja atribuição a Camões foi feita, em alguns casos, sem critérios rigorosos. Um volume que o poeta preparou, intitulado Parnaso, foi-lhe roubado.
Na poesia lírica, constituída por redondilhas, sonetos, canções, odes, oitavas, tercetos, sextinas, elegias e éclogas, Camões conciliou a tradição renascentista (sob forte influência de Petrarca, no soneto) com alguns aspectos maneiristas. Noutras composições, aproveitou elementos da tradição lírica nacional, numa linha que vinha já dos trovadores e da poesia palaciana, como por exemplo nas redondilhas «Descalça vai para a fonte» (dedicadas a Lianor), «Perdigão perdeu a pena», ou «Aquela cativa» (que dedicou a uma sua escrava negra). É no tom pessoal que conferiu às tendências de inspiração italiana e na renovação da lírica mais tradicional que reside parte do seu génio.
Na poesia lírica avultam os poemas de temática amorosa, em que se tem procurado solução para as muitas lacunas em relação à vida e personalidade do poeta. É o caso da sua relação amorosa com Dinamene, uma amada chinesa que surge em alguns dos seus poemas, nomeadamente no conhecido soneto «Alma minha gentil que te partiste», ou de outras composições, que ilustram a sua experiência de guerra e do Oriente, como a canção «Junto dum seco, duro, estéril monte».
No tratamento dado ao tema do amor é possível encontrar, não apenas a adopção do conceito platónico do amor (herdado da tradição cristã e da tradição e influência petrarquista) com os seus princípios básicos de identificação do sujeito com o objecto de amor («Transforma-se o amador na cousa amada»), de anulação do desejo físico («Pede-me o desejo, Dama, que vos veja / Não entende o que pede; está enganado.») e da ausência como forma de apurar o amor, mas também o conflito com a vivência sensual desse mesmo amor. Assim, o amor surge, à maneira petrarquista, como fonte de contradições, tão bem expressas no justamente célebre soneto «Amor é fogo que arde sem se ver», entre a vida e a morte, a água e o fogo, a esperança e o desengano, inefável, mas, assim mesmo, fundamental à vida humana. A concepção da mulher, outro tema essencial da lírica camoniana, em íntima ligação com a temática amorosa e com o tratamento dado à natureza (que, classicamente vista como harmoniosa e amena, a ela se associa, como fonte de imagens e metáforas, como termo comparativo de superlativação da beleza da mulher, e, à maneira das cantigas de amigo, como cenário e/ou confidente do drama amoroso), oscila igualmente entre o pólo platónico (ideal de beleza física, espelho da beleza interior, manifestação no mundo sensível da Beleza do mundo inteligível), representado pelo modelo de Laura, que é predominante (vejam-se a propósito os sonetos «Ondados fios de ouro reluzente» e «Um mover d'olhos, brando e piedoso»), e o modelo renascentista de Vénus.
Temas mais abstractos como o do desconcerto do mundo (expresso no soneto «Verdade, Amor, Razão, Merecimento» ou na esparsa «Os bons vi sempre passar/no mundo graves tormentos»), a passagem inexorável do tempo com todas as mudanças implicadas, sempre negativas do ponto de vista pessoal (como observa Camões no soneto «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades»), as considerações de ordem autobiográfica (como nos sonetos «Erros meus, má fortuna, amor ardente» ou «O dia em que eu nasci, moura e pereça», que transmitem a concepção desesperançada, pessimista, da vida própria), são outros temas dominantes da poesia lírica de Camões.
No entanto, foi com Os Lusíadas que Camões, embora postumamente, alcançou a glória. Poema épico, seguindo os modelos clássicos e renascentistas, pretende fixar para a posteridade os grandes feitos dos portugueses no Oriente. Aproveitando a mitologia greco-romana, fundindo-a com elementos cristãos, o que, na época, e mesmo mais tarde, gerou alguma controvérsia, Camões relata a viagem de Vasco da Gama, tomando-a como pretexto para a narração da história de Portugal, intercalando episódios narrativos com outros de cariz mais lírico, como é o caso do da «Linda Inês». Os Lusíadas vieram a ser considerados o grande poema épico nacional. Toda a obra de Camões, de resto, influenciou a posterior literatura portuguesa, de forma particular durante o Romantismo, criando muitos mitos ligados à sua vida, mas também noutras épocas, inclusivamente a actual. No século XIX, alguns escritores e pensadores realistas colaboraram na preparação das comemorações do terceiro centenário da sua morte, pretendendo que a figura de Camões permitisse uma renovação política e espiritual de Portugal.
Amplamente traduzido e admirado, é considerado por muitos a figura cimeira da língua e da literatura portuguesas. São suas a colectânea das Rimas (1595, obra lírica), o Auto dos Anfitriões, o Auto de Filodemo (1587), o Auto de El-Rei Seleuco (1645) e Os Lusíadas (1572).
Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 10 de Junho de 1580) é frequentemente considerado como o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade. O seu génio é comparável ao de Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare; das suas obras, a epopéia Os Lusíadas é a mais significativa.
"Tão grandes homens como este, em letras, juizo e qualidade, não dizem coisa que não seja para ser dita" : Manuel de Faria e Sousa in Rimas de Camões, 1685, p. 32
Origens e juventude
Desconhece-se a data e o local onde terá nascido Camões. Admite-se que nasceu entre 1517 e 1525. A sua família é de origem galega que se fixou em Vilar de Nantes, freguesia do concelho de Chaves e mais tarde terá ido para Coimbra e para Lisboa, lugares que reivindicam ser o local de seu nascimento. Frequentemente fala-se também em Alenquer, mas isto deve-se a uma má interpretação de um dos seus sonetos, onde Camões escreveu "[…] / Criou-me Portugal na verde e cara / pátria minha Alenquer […]". Esta frase isolada e a escrita do soneto na primeira pessoa levam as pessoas a pensarem que é Camões a falar de si. Mas a leitura atenta e completa do soneto permite concluir que os factos aí presentes não se associam à vida de Camões. Camões escreveu o soneto como se fosse um indivíduo, provavelmente um conhecido seu, que já teria morrido com menos de 25 anos de idade, longe da pátria, tendo como sepultura o mar.
O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e sua mãe Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, conquistando fama de poeta e feitio altivo.
Viveu algum tempo em Coimbra onde teria freqüentado o curso de Humanidades, talvez no Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio padre, D. Bento de Camões. Não há registos da passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada dos seus escritos torna a única universidade de Portugal do tempo como o lugar mais provável de seus estudos.
Ligado à casa do Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha, e talvez preceptor do filho D. António, segue para Ceuta em 1549 e por lá fica até 1551. Era uma aventura comum na carreira militar dos jovens, recordada na elegia Aquela que de amor descomedido. Num cerco, teve um dos olhos vazados por uma seta pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve as suas potencialidades de combate.
De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em desgraça, a ponto de ser desterrado para Constância. Não há, porém, o menor fundamento documental de que tal fato tenha ocorrido.
Segundo Manuel de Faria e Sousa seu principal biografa e comentador, em 1550 Camões destina-se a passar à Índia. Vem no registo da Armada de esse ano, que Faria encontrou o seguinte : " Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores em Lisboa, na Mouraria ; escudeiro, de 25 anos, barbirruivo, trouxe por fiador a seu pai; vai na nau de S. Pedro dos Burgaleses." Ia assentado entre os homens de armas. Afinal não embarcou.
No dia de Corpus Christi de 1552 entra em rixa, e fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é libertado por carta régia de perdão de 3 de Março de 1553 : " é um mancebo e pobre e me vai este ano servir à Índia". Embarca então na armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse mesmo mês. O mesmo Manuel de Faria e Sousa encontrou o registo dessa Armada onde vem, sob o título "Gente de guerra", o seguinte assento: " Fernando Casado, filho de Manuel Casado e de Branca Queimada, moradores em Lisboa, escudeiro; foi em seu lugar Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, escudeiro; e recebeu 2400 como os demais".
Oriente
Chegado a Goa, Camões toma parte na expedição do vice-rei D. Afonso de Noronha contra o rei de Chembe, conhecido como o "rei da pimenta". A esta primeira expedição refere-se a elegia "O Poeta Simónides falando". Depois Camões fixou-se em Goa onde escreveu grande parte da sua obra épica. Considerou a cidade como uma "madrasta de todos os homens honestos" e ali estudou os costumes de cristãos e hindus, e a geografia e a história locais. Tomou parte em mais expedições militares. Entre Fevereiro e Novembro de 1554 integrou a Armada de D. Fernando de Meneses, constituída por mais de 1000 homens e 30 embarcações, ao Golfo Pérsico, aí sentindo a amargura expressa na canção "Junto de um seco, fero e estéril monte". No regresso foi nomeado "provedor-mor dos defuntos nas partes da China" pelo Governador Francisco Barreto, para quem escreveria o "Auto do Filodemo".
Em 1556 partiu para Macau, onde continuou os seus escritos. Viveu numa gruta, hoje com o seu nome, e aí terá escrito boa parte d'Os Lusíadas. Naufragou na foz do rio Mekong, onde conservou de forma heróica o manuscrito da obra, então já adiantada (cf. Lus., X, 128). No desastre teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas "Sôbolos rios".
Regressou a Goa antes de Agosto de 1560 e pediu a protecção do Vice-rei D. Constantino de Bragança num longo poema em oitavas. Aprisionado por dívidas, dirigiu súplicas em verso ao novo Vice-rei, D. Francisco Coutinho, conde do Redondo, para ser liberto.
Camões na prisão de Goa, Moreaux pinxit et lith
De regresso ao reino, em 1568 fez escala na ilha de Moçambique, onde, passados dois anos, Diogo do Couto o encontrou, como relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava "tão pobre que vivia de amigos" (Década 8.ª da Ásia). Trabalhava então na revisão de Os Lusíadas e na composição de "um Parnaso de Luís de Camões, com poesia, filosofia e outras ciências", obra roubada. Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até Lisboa, onde Camões aportou em Abril de 1570, na nau Santa Clara : "Em Cascais, as naus fundeadas esperavam que Diogo do Couto voltasse de Almeirim, onde fora solicitar de el-rei a sua entrada no Tejo, porque Lisboa estava fechada com a peste. Logo que a ordem veio, a Santa Clara"" entrou a barra." (Oliveira Martins)
Em 1580, em Lisboa, assistiu à partida do exército português para o norte de África.
Faleceu numa casa de Santana, em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa das igrejas das proximidades. Os seus restos encontram-se atualmente no Mosteiro dos Jerónimos.
Retratos de Camões
O único retrato que se conhece, pintado em vida de Camões, por um pintor profissional, perdeu-se. Mas a cópia, «fidelíssima cópia» feita por Luís José Pereira de Resende no segundo quartel do séc. XIX sobreviveu, e vem reproduzida acima. A Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses adquiriu-a a um antiquário americano (Richard C. Ramer, especialisado em bibliografia portuguesa). Trata-se do "retrato pintado a vermelho" por Fernão Gomes. Data do período entre 1573 e 1579, segundo Vasco Graça Moura.
Os Lusíadas e a obra lírica
Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Os Lusíadas
Luís de Camões por François Gérard, na edição dos Lusíadas do Morgado de Matheus.
Os Lusíadas é considerada a principal epopéia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. As realizações de Portugal desde o Infante D. Henrique até à união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na História, marcando a transição da Idade Média para a Época Moderna. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopéia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.
As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
(...)
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte
— Camões, Lusíadas, Canto I.
A obra lírica de Camões foi publicada como "Rimas", não havendo acordo entre os diferentes editores quanto ao número de sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria de algumas das peças líricas. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.
O estilo
É fácil reconhecer na obra poética de Camões dois estilos não só diferentes, mas talvez até opostos: um, o estilo das redondilhas e de alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou italiana de muitos outros sonetos e das composições (h)endecassílabas maiores. Chamaremos aqui ao primeiro o estilo engenhoso, ao segundo o estilo clássico.
O estilo engenhoso, tal como já aparece no Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas composições constituídas por mote e voltas. O poeta tinha que desenvolver um mote dado, e era na interpretação das palavras desse mote que revelava a sua subtileza e imaginação, exactamente como os pregadores medievais o faziam ao desenvolver a frase bíblica que servia de tema ao sermão. No desenvolvimento do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor verbal, de exactidão vocabular, de modo que os engenhosos paradoxos e os entendimentos fantasistas das palavras parecessem sair de uma espécie de operação lógica.
As obras dele foram divididas em líricas e amorosas. Um exemplo das obras líricas foi Os Lusíadas, dividido em 10 cantos, exalta a conquista de Portugal na rota das índias.
Obras
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Portal de Literatura
* 1572- Os Lusíadas
Lírica
* 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
* 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
* 1595 - Verdes são os campos
* 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
* 1595 - Sobolos rios que vão
* 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
* 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
* 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
* 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
* 1595 - Alma minha gentil, que te partiste
Teatro
* 1587 - El-Rei Seleuco
* 1587 - Auto de Filodemo
* 1587 - Anfitriões
Outras
* 1572 - A Morte de D. Inês (eBook) (encontra-se esse episódio nos Lusíadas).
Bibliografia
* "Os Lusíadas". Catálogo da Exposição Bibl., iconogr. e medalhística de Camões. Intr., sel. e notas de José V. de Pina Martins. Lisboa, 1972;
* Col. Camoniana de José do Canto. Lisboa, 1972.
Bibliografia activa
* Os Lusiadas de Luis de Camões. Lisboa. Em casa de Antonio Gõçalvez impressor. 1572 Edição princeps. Com uma edição falsa ( pelo menos, segundo Inocêncio Francisco da Silva houve algumas mais), com a mesma data, "egual em rosto, formato, número de folhas, etc.(...) e pelo mesmo impressor. Os exemplares d'esta, havida por segunda parecendo à primeira vista conformes e identicos aos da edição princeps, distinguem-se d'elles todavia por diferenças bem sensíveis (...). Bastará indicar a confrontação dos dous ultimos versos da oitava primeira do canto I, que na edição princeps são escriptos como se segue :
"Entre gente remota edificaram
"Novo Reino, que tanto sublimaram;"
E na chamada segunda lêem-se pela fórma seguinte :
"E entre gente remota edificarão
"Novo Reino que tanto sublimarão."[1]"
Mas a indicacão mais rápida para distinguir essas duas versões dessa primeira edição encontra-se no rosto. Num deles o pelicano aí representado está tornado para a direita, no outro para a esquerda. Mas qual será o da edição "princeps ? A realidade foi de certo que, visto que visto que cada edição reclama de novo novas autorizações (da Inquisição), o editor preferiu utilisar este meio para publicar de novo um poema que têve logo muito sucesso. Assim ia mais rapidamente, e sem risco de não obter esta vez as ditas autorizações.
* Os Lusiadas de Luis de Camões, agora de novo impresso com alguas annotaçoens de diversos autores. Por Manoel de Lyra. Lisboa, 1584 Edição dos Piscos
* Primeira parte dos Autos e Comedias portuguezas, por Antonio Prestes e por Luis de Camoens, e por outros auctores portuguezes, cujos nomes vão no principio de suas obras. Por André Lobato, impressor de livros 1587 : primeira edição dos autos ou comédias de Camões : Filodemo (p. 14) e Amphitriões (p. 86).
* Os Lusiadas de Luis de Camoens. Agora de novo impressos com algumas annotaçoens de diversos autores. Por Manoel de Lyra. Lisboa, [[1591]
* Rythmas de Luis de Camoens, dirigidas em cinco partes. Dirigidas ao muito illustre senhor D. Gonçalo Coutinho. Em Lisboa. Por Manoel de Lyra. 1595. A custa de Estevão Lopes.
* Os Lusiadas de Luis de Camoens. Pelo original antigo agora novamento impressos. Em Lisboa. Por Manoel de Lyra.[[1597]
* Rimas de Luis de Camões, acrescentadas nesta segunda impressão. Dedicadas á inclyta Universidade de Coimbra. Lisboa. Por Pedro Craesbeck. 1599. A custa de Estevão Lopes.
* Rimas de Luis de Camões, acrescentadas nesta terceyra impressão. dedicadas a D. Gonçalo Coutinho. Em Lisboa. Por Pedro Craesbeck. 1607. A custa de Domingos Fernandes.
* Anfitriões. Pref. e notas de Vieira de Almeida. Lisboa, 1942;
* El-Rei Seleuco. Id. Ib., 1944;
* Obras completas. Com prefácio e notas de Hernâni Cidade. Lisboa, 1946-1947;
* Obra completa. Org., intr., com. e anotações de A. Salgado Júnior. R. de Janeiro, 1963;
* Os Lusíadas. Leitura, prefácio e notas de Álvaro J. da Costa Pimpão. Lisboa, 1992;
* Rimas. Texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão. Coimbra, 1994;
* Os Lusíadas. Edição comentada e anotada por Henrique Barrilaro Ruas. Lisboa, Editora Rei dos Livros, 2002.
Bibliografia passiva
* Rebelo Gonçalves, Dissertações Camonianas. S. Paulo, 1937;
* António Salgado Júnior, Os Lusíadas e a viagem do Gama. O tratamento mitológico de uma realidade histórica. Porto, 1939;
* B. Xavier Coutinho, Camões e as artes plásticas. Porto, 1946-1948;
* J. Vieira de Almeida, Le théâtre de Camões dans l'histoire du théâtre portugais. Lisboa, 1950;
* H. Cidade, L. de Camões. Os Autos e o teatro do seu tempo. As cartas e o seu conteúdo biográfico. Lisboa, 1956;
* Jorge de Sena, Uma canção de Camões. Lisboa, 1966; id., Os sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular. Lisboa, 1969;
* Georges le Gentil, Camões. Lisboa, 1969;
* Roger Bismut, La Lyrique de Camões. Paris, 1970;
* Vítor M. de Aguiar e Silva, Maneirismo e Barroco na poesia lírica portuguesa. Coimbra, 1971;
* M.ª Isabel F. da Cruz, Novos subsídios para uma ed. crítica da Lírica de Camões. Porto, 1971;
* Visages de L. de Camões. Paris, 1972;
* António José Saraiva, Camões. Lisboa, 1972;
* XLVIII Curso de Férias da Faculdade de Letras de Coimbra. Ciclo de lições comemorativas do IV Cent. da publ. de "Os Lusíadas". Coimbra, 1972;
* Luciano Pereira da Silva, A Astronomia de "Os Lusíadas". Lisboa, 1972;
* Ocidente (n.º especial). Nov. 1972;
* Garcia de Orta (n.º especial). Lisboa, 1972;
* Cleonice Berardinelli, Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1973; Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1974;
* João Mendes, Lit. Portuguesa I. Lisboa, 1974;
* E. Asensio, Sobre El Rey Seleuco de Camões, em Estudios Portugueses. Paris, 1974;
* Roger Bismut, Les Lusiades de Camões, confession d'un poète. Paris, 1974;
* Vítor M. de Aguiar e Silva, Notas ao cânone da Lírica camoniana. Coimbra, 1968 e 1975;
* Gilberto Mendonça Teles, Camões e a poesia brasileira. R. de Janeiro,1979;
* José Maria Rodrigues, Fontes dos Lusíadas. Lisboa, 1979;
* Quaderni Portoghesi, 6. Pisa, 1979;
* Studi Camoniani. L'Aquila, 1980;
* Homenaje a Camoens. Estudios y ensayos hispano-portugueses. Granada, 1980;
* Brotéria, vols. 110 e 111;
* Luís F. Rebelo, Variações sobre o teatro de Camões. Lisboa, 1980;
* A. Costa Ramalho, Estudos Camonianos. 2Lisboa, 1980;
* A. Pinto de Castro (et al.), Quatro orações camonianas. Lisboa, 1980;
* Eduardo Lourenço, Poesia e Metafísica. Lisboa, 1980;
* Hélder de Macedo, Camões e a viagem iniciática. Lisboa, 1980;
* Jorge de Sena, A estrutura de "Os Lusíadas" e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do século XVI. Lisboa, 1980; id.,30 Anos de Camões. Lisboa, 1980;
* Cleonice Berardinelli, Os sonetos de Camões. Paris, 1980;
* Jorge Borges de Macedo, "Os Lusíadas e a História. Lisboa, 1980;
* J. G. Herculano de Carvalho, Contribuição de "Os Lusíadas" para a renovação da língua portuguesa. Coimbra, 1980;
* Vasco Graça Moura, L. de Camões: alguns desafios. Lisboa, 1980;
* José Hermano Saraiva, Vida Ignorada de Camões. Lisboa, 1980.
* W. Storck, Vida e obras de L. de Camões. Lisboa, 1980;
* Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1980-1981;
* M.ª Vitalina Leal de Matos, Introdução à poesia de L. de Camões. Lisboa, 1980; id., O canto na poesia épica e lírica de Camões. Paris, 1981;
* M.ª Clara Pereira da Costa, O enquadramento social da Família de Camões na Lisboa do século XVI. Lisboa, 1981;
* José Pedro Machado, Notas Camonianas. Lisboa, 1981;
* J. Filgueira Valverde, Camões. Coimbra, 1981; Cuatro lecciones sobre Camoens. Madrid, 1981;
* A. Pinto de Castro, Camões, poeta pelo mundo em pedaços repartido. Lisboa, 1981;
* A Viagem de "Os Lusíadas": símbolo e mito. Lisboa, 1981;
* E. Asensio e J. V. de Pina Martins, L. de Camões. El Humanismo en su obra poética. Los Lusíadas y las Rimas en la poesía española. Paris, 1982;
* M.ª Lucília G. Pires, A crítica camoniana no século XVII. Lisboa, 1982;
* J. de Sena, Estudos sobre o vocabulário de "Os Lusíadas". Lisboa, 1982;
* Jacinto do Prado Coelho, Camões e Pessoa, poetas da utopia. Lisboa, 1983;
* H. Cidade, L. de Camões. I. O Lírico. Lisboa, 1985; id., L. de Camões. II. O Épico. Lisboa, 1985;
* Camoniana Californiana. St.ª Bárbara, 1985;
* Vasco Graça Moura, Camões e a divina proporção. Lisboa, 1985; id., Os penhascos e a serpente. Lisboa, 1987;
* Fidelino de Figueiredo, A épica portuguesa do século XVI. Lisboa, 1987;
* Martim de Albuquerque, A expressão do Poder em L. de Camões. Lisboa, 1988;
* J. A. Cardoso Bernardes, O Bucolismo português. Coimbra, 1988;
* M.ª Helena Ribeiro da Cunha, A dialéctica do desejo na Lírica de Camões. Lisboa, 1989;
* A. Costa Ramalho, Camões no seu e no nosso tempo. Coimbra, 1992;
* Actas das Reuniões Internacionais de Camonistas: I (Lisboa, 1973); III (Coimbra, 1987); IV (Ponta Delgada, 1984) e V (S. Paulo, 1992);
* Revista Camoniana (S. Paulo, 10 vols publ. desde 1964).
* Grande enciclopédia do conhecimento
* Diccionario bibliographico portuguez, estudos de Innocencio Francisco da Silva, applicaveis a Portugal e ao Brasil. Lisboa, 1860. Reimpressão : Imprensa nacional - Casa da moeda 1998
Notas
1. ↑ 'Diccionario bibliographico portuguez, estudos de Innocencio Francisco da Silva
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* Instituto Camões (em português)
* Centro Virtual
* Navegações Portuguesas
* Obras de Luís Vaz de Camões na Biblioteca Nacional Digital (em português)
* Poemas de Camões na Rua da Poesia
* Poemas de Camões II (em português)
* Camões, herói humanista (em português)
* Luís de Camões, a lenda (em português)
* Os Lusíadas , audiobook disponibilizado por Librivox
"Tão grandes homens como este, em letras, juizo e qualidade, não dizem coisa que não seja para ser dita" : Manuel de Faria e Sousa in Rimas de Camões, 1685, p. 32
Origens e juventude
Desconhece-se a data e o local onde terá nascido Camões. Admite-se que nasceu entre 1517 e 1525. A sua família é de origem galega que se fixou em Vilar de Nantes, freguesia do concelho de Chaves e mais tarde terá ido para Coimbra e para Lisboa, lugares que reivindicam ser o local de seu nascimento. Frequentemente fala-se também em Alenquer, mas isto deve-se a uma má interpretação de um dos seus sonetos, onde Camões escreveu "[…] / Criou-me Portugal na verde e cara / pátria minha Alenquer […]". Esta frase isolada e a escrita do soneto na primeira pessoa levam as pessoas a pensarem que é Camões a falar de si. Mas a leitura atenta e completa do soneto permite concluir que os factos aí presentes não se associam à vida de Camões. Camões escreveu o soneto como se fosse um indivíduo, provavelmente um conhecido seu, que já teria morrido com menos de 25 anos de idade, longe da pátria, tendo como sepultura o mar.
O pai de Camões foi Simão Vaz de Camões e sua mãe Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, conquistando fama de poeta e feitio altivo.
Viveu algum tempo em Coimbra onde teria freqüentado o curso de Humanidades, talvez no Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio padre, D. Bento de Camões. Não há registos da passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada dos seus escritos torna a única universidade de Portugal do tempo como o lugar mais provável de seus estudos.
Ligado à casa do Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha, e talvez preceptor do filho D. António, segue para Ceuta em 1549 e por lá fica até 1551. Era uma aventura comum na carreira militar dos jovens, recordada na elegia Aquela que de amor descomedido. Num cerco, teve um dos olhos vazados por uma seta pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve as suas potencialidades de combate.
De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em desgraça, a ponto de ser desterrado para Constância. Não há, porém, o menor fundamento documental de que tal fato tenha ocorrido.
Segundo Manuel de Faria e Sousa seu principal biografa e comentador, em 1550 Camões destina-se a passar à Índia. Vem no registo da Armada de esse ano, que Faria encontrou o seguinte : " Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores em Lisboa, na Mouraria ; escudeiro, de 25 anos, barbirruivo, trouxe por fiador a seu pai; vai na nau de S. Pedro dos Burgaleses." Ia assentado entre os homens de armas. Afinal não embarcou.
No dia de Corpus Christi de 1552 entra em rixa, e fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é libertado por carta régia de perdão de 3 de Março de 1553 : " é um mancebo e pobre e me vai este ano servir à Índia". Embarca então na armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse mesmo mês. O mesmo Manuel de Faria e Sousa encontrou o registo dessa Armada onde vem, sob o título "Gente de guerra", o seguinte assento: " Fernando Casado, filho de Manuel Casado e de Branca Queimada, moradores em Lisboa, escudeiro; foi em seu lugar Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, escudeiro; e recebeu 2400 como os demais".
Oriente
Chegado a Goa, Camões toma parte na expedição do vice-rei D. Afonso de Noronha contra o rei de Chembe, conhecido como o "rei da pimenta". A esta primeira expedição refere-se a elegia "O Poeta Simónides falando". Depois Camões fixou-se em Goa onde escreveu grande parte da sua obra épica. Considerou a cidade como uma "madrasta de todos os homens honestos" e ali estudou os costumes de cristãos e hindus, e a geografia e a história locais. Tomou parte em mais expedições militares. Entre Fevereiro e Novembro de 1554 integrou a Armada de D. Fernando de Meneses, constituída por mais de 1000 homens e 30 embarcações, ao Golfo Pérsico, aí sentindo a amargura expressa na canção "Junto de um seco, fero e estéril monte". No regresso foi nomeado "provedor-mor dos defuntos nas partes da China" pelo Governador Francisco Barreto, para quem escreveria o "Auto do Filodemo".
Em 1556 partiu para Macau, onde continuou os seus escritos. Viveu numa gruta, hoje com o seu nome, e aí terá escrito boa parte d'Os Lusíadas. Naufragou na foz do rio Mekong, onde conservou de forma heróica o manuscrito da obra, então já adiantada (cf. Lus., X, 128). No desastre teria morrido a sua companheira chinesa Dinamene, celebrada em série de sonetos. É possível que datem igualmente dessa época ou tenham nascido dessa dolorosa experiência as redondilhas "Sôbolos rios".
Regressou a Goa antes de Agosto de 1560 e pediu a protecção do Vice-rei D. Constantino de Bragança num longo poema em oitavas. Aprisionado por dívidas, dirigiu súplicas em verso ao novo Vice-rei, D. Francisco Coutinho, conde do Redondo, para ser liberto.
Camões na prisão de Goa, Moreaux pinxit et lith
De regresso ao reino, em 1568 fez escala na ilha de Moçambique, onde, passados dois anos, Diogo do Couto o encontrou, como relata na sua obra, acrescentando que o poeta estava "tão pobre que vivia de amigos" (Década 8.ª da Ásia). Trabalhava então na revisão de Os Lusíadas e na composição de "um Parnaso de Luís de Camões, com poesia, filosofia e outras ciências", obra roubada. Diogo do Couto pagou-lhe o resto da viagem até Lisboa, onde Camões aportou em Abril de 1570, na nau Santa Clara : "Em Cascais, as naus fundeadas esperavam que Diogo do Couto voltasse de Almeirim, onde fora solicitar de el-rei a sua entrada no Tejo, porque Lisboa estava fechada com a peste. Logo que a ordem veio, a Santa Clara"" entrou a barra." (Oliveira Martins)
Em 1580, em Lisboa, assistiu à partida do exército português para o norte de África.
Faleceu numa casa de Santana, em Lisboa, sendo enterrado numa campa rasa numa das igrejas das proximidades. Os seus restos encontram-se atualmente no Mosteiro dos Jerónimos.
Retratos de Camões
O único retrato que se conhece, pintado em vida de Camões, por um pintor profissional, perdeu-se. Mas a cópia, «fidelíssima cópia» feita por Luís José Pereira de Resende no segundo quartel do séc. XIX sobreviveu, e vem reproduzida acima. A Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses adquiriu-a a um antiquário americano (Richard C. Ramer, especialisado em bibliografia portuguesa). Trata-se do "retrato pintado a vermelho" por Fernão Gomes. Data do período entre 1573 e 1579, segundo Vasco Graça Moura.
Os Lusíadas e a obra lírica
Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Os Lusíadas
Luís de Camões por François Gérard, na edição dos Lusíadas do Morgado de Matheus.
Os Lusíadas é considerada a principal epopéia da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. As realizações de Portugal desde o Infante D. Henrique até à união dinástica com Espanha em 1580 são um marco na História, marcando a transição da Idade Média para a Época Moderna. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopéia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer e nas exigências de uma visão heróica.
As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
(...)
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte
— Camões, Lusíadas, Canto I.
A obra lírica de Camões foi publicada como "Rimas", não havendo acordo entre os diferentes editores quanto ao número de sonetos escritos pelo poeta e quanto à autoria de algumas das peças líricas. Alguns dos seus sonetos, como o conhecido Amor é fogo que arde sem se ver, pela ousada utilização dos paradoxos, prenunciam o Barroco.
O estilo
É fácil reconhecer na obra poética de Camões dois estilos não só diferentes, mas talvez até opostos: um, o estilo das redondilhas e de alguns sonetos, na tradição do Cancioneiro Geral; outro, o estilo de inspiração latina ou italiana de muitos outros sonetos e das composições (h)endecassílabas maiores. Chamaremos aqui ao primeiro o estilo engenhoso, ao segundo o estilo clássico.
O estilo engenhoso, tal como já aparece no Cancioneiro Geral, manifesta-se sobretudo nas composições constituídas por mote e voltas. O poeta tinha que desenvolver um mote dado, e era na interpretação das palavras desse mote que revelava a sua subtileza e imaginação, exactamente como os pregadores medievais o faziam ao desenvolver a frase bíblica que servia de tema ao sermão. No desenvolvimento do mote havia uma preocupação de pseudo-rigor verbal, de exactidão vocabular, de modo que os engenhosos paradoxos e os entendimentos fantasistas das palavras parecessem sair de uma espécie de operação lógica.
As obras dele foram divididas em líricas e amorosas. Um exemplo das obras líricas foi Os Lusíadas, dividido em 10 cantos, exalta a conquista de Portugal na rota das índias.
Obras
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Portal de Literatura
* 1572- Os Lusíadas
Lírica
* 1595 - Amor é fogo que arde sem se ver
* 1595 - Eu cantarei o amor tão docemente
* 1595 - Verdes são os campos
* 1595 - Que me quereis, perpétuas saudades?
* 1595 - Sobolos rios que vão
* 1595 - Transforma-se o amador na cousa amada
* 1595 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
* 1595 - Quem diz que Amor é falso ou enganoso
* 1595 - Sete anos de pastor Jacob servia
* 1595 - Alma minha gentil, que te partiste
Teatro
* 1587 - El-Rei Seleuco
* 1587 - Auto de Filodemo
* 1587 - Anfitriões
Outras
* 1572 - A Morte de D. Inês (eBook) (encontra-se esse episódio nos Lusíadas).
Bibliografia
* "Os Lusíadas". Catálogo da Exposição Bibl., iconogr. e medalhística de Camões. Intr., sel. e notas de José V. de Pina Martins. Lisboa, 1972;
* Col. Camoniana de José do Canto. Lisboa, 1972.
Bibliografia activa
* Os Lusiadas de Luis de Camões. Lisboa. Em casa de Antonio Gõçalvez impressor. 1572 Edição princeps. Com uma edição falsa ( pelo menos, segundo Inocêncio Francisco da Silva houve algumas mais), com a mesma data, "egual em rosto, formato, número de folhas, etc.(...) e pelo mesmo impressor. Os exemplares d'esta, havida por segunda parecendo à primeira vista conformes e identicos aos da edição princeps, distinguem-se d'elles todavia por diferenças bem sensíveis (...). Bastará indicar a confrontação dos dous ultimos versos da oitava primeira do canto I, que na edição princeps são escriptos como se segue :
"Entre gente remota edificaram
"Novo Reino, que tanto sublimaram;"
E na chamada segunda lêem-se pela fórma seguinte :
"E entre gente remota edificarão
"Novo Reino que tanto sublimarão."[1]"
Mas a indicacão mais rápida para distinguir essas duas versões dessa primeira edição encontra-se no rosto. Num deles o pelicano aí representado está tornado para a direita, no outro para a esquerda. Mas qual será o da edição "princeps ? A realidade foi de certo que, visto que visto que cada edição reclama de novo novas autorizações (da Inquisição), o editor preferiu utilisar este meio para publicar de novo um poema que têve logo muito sucesso. Assim ia mais rapidamente, e sem risco de não obter esta vez as ditas autorizações.
* Os Lusiadas de Luis de Camões, agora de novo impresso com alguas annotaçoens de diversos autores. Por Manoel de Lyra. Lisboa, 1584 Edição dos Piscos
* Primeira parte dos Autos e Comedias portuguezas, por Antonio Prestes e por Luis de Camoens, e por outros auctores portuguezes, cujos nomes vão no principio de suas obras. Por André Lobato, impressor de livros 1587 : primeira edição dos autos ou comédias de Camões : Filodemo (p. 14) e Amphitriões (p. 86).
* Os Lusiadas de Luis de Camoens. Agora de novo impressos com algumas annotaçoens de diversos autores. Por Manoel de Lyra. Lisboa, [[1591]
* Rythmas de Luis de Camoens, dirigidas em cinco partes. Dirigidas ao muito illustre senhor D. Gonçalo Coutinho. Em Lisboa. Por Manoel de Lyra. 1595. A custa de Estevão Lopes.
* Os Lusiadas de Luis de Camoens. Pelo original antigo agora novamento impressos. Em Lisboa. Por Manoel de Lyra.[[1597]
* Rimas de Luis de Camões, acrescentadas nesta segunda impressão. Dedicadas á inclyta Universidade de Coimbra. Lisboa. Por Pedro Craesbeck. 1599. A custa de Estevão Lopes.
* Rimas de Luis de Camões, acrescentadas nesta terceyra impressão. dedicadas a D. Gonçalo Coutinho. Em Lisboa. Por Pedro Craesbeck. 1607. A custa de Domingos Fernandes.
* Anfitriões. Pref. e notas de Vieira de Almeida. Lisboa, 1942;
* El-Rei Seleuco. Id. Ib., 1944;
* Obras completas. Com prefácio e notas de Hernâni Cidade. Lisboa, 1946-1947;
* Obra completa. Org., intr., com. e anotações de A. Salgado Júnior. R. de Janeiro, 1963;
* Os Lusíadas. Leitura, prefácio e notas de Álvaro J. da Costa Pimpão. Lisboa, 1992;
* Rimas. Texto estabelecido e prefaciado por Álvaro J. da Costa Pimpão. Coimbra, 1994;
* Os Lusíadas. Edição comentada e anotada por Henrique Barrilaro Ruas. Lisboa, Editora Rei dos Livros, 2002.
Bibliografia passiva
* Rebelo Gonçalves, Dissertações Camonianas. S. Paulo, 1937;
* António Salgado Júnior, Os Lusíadas e a viagem do Gama. O tratamento mitológico de uma realidade histórica. Porto, 1939;
* B. Xavier Coutinho, Camões e as artes plásticas. Porto, 1946-1948;
* J. Vieira de Almeida, Le théâtre de Camões dans l'histoire du théâtre portugais. Lisboa, 1950;
* H. Cidade, L. de Camões. Os Autos e o teatro do seu tempo. As cartas e o seu conteúdo biográfico. Lisboa, 1956;
* Jorge de Sena, Uma canção de Camões. Lisboa, 1966; id., Os sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular. Lisboa, 1969;
* Georges le Gentil, Camões. Lisboa, 1969;
* Roger Bismut, La Lyrique de Camões. Paris, 1970;
* Vítor M. de Aguiar e Silva, Maneirismo e Barroco na poesia lírica portuguesa. Coimbra, 1971;
* M.ª Isabel F. da Cruz, Novos subsídios para uma ed. crítica da Lírica de Camões. Porto, 1971;
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* António José Saraiva, Camões. Lisboa, 1972;
* XLVIII Curso de Férias da Faculdade de Letras de Coimbra. Ciclo de lições comemorativas do IV Cent. da publ. de "Os Lusíadas". Coimbra, 1972;
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* Ocidente (n.º especial). Nov. 1972;
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* Cleonice Berardinelli, Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1973; Estudos Camonianos. R. de Janeiro, 1974;
* João Mendes, Lit. Portuguesa I. Lisboa, 1974;
* E. Asensio, Sobre El Rey Seleuco de Camões, em Estudios Portugueses. Paris, 1974;
* Roger Bismut, Les Lusiades de Camões, confession d'un poète. Paris, 1974;
* Vítor M. de Aguiar e Silva, Notas ao cânone da Lírica camoniana. Coimbra, 1968 e 1975;
* Gilberto Mendonça Teles, Camões e a poesia brasileira. R. de Janeiro,1979;
* José Maria Rodrigues, Fontes dos Lusíadas. Lisboa, 1979;
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* Homenaje a Camoens. Estudios y ensayos hispano-portugueses. Granada, 1980;
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* Luís F. Rebelo, Variações sobre o teatro de Camões. Lisboa, 1980;
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* A. Pinto de Castro (et al.), Quatro orações camonianas. Lisboa, 1980;
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* Jorge de Sena, A estrutura de "Os Lusíadas" e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do século XVI. Lisboa, 1980; id.,30 Anos de Camões. Lisboa, 1980;
* Cleonice Berardinelli, Os sonetos de Camões. Paris, 1980;
* Jorge Borges de Macedo, "Os Lusíadas e a História. Lisboa, 1980;
* J. G. Herculano de Carvalho, Contribuição de "Os Lusíadas" para a renovação da língua portuguesa. Coimbra, 1980;
* Vasco Graça Moura, L. de Camões: alguns desafios. Lisboa, 1980;
* José Hermano Saraiva, Vida Ignorada de Camões. Lisboa, 1980.
* W. Storck, Vida e obras de L. de Camões. Lisboa, 1980;
* Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 1980-1981;
* M.ª Vitalina Leal de Matos, Introdução à poesia de L. de Camões. Lisboa, 1980; id., O canto na poesia épica e lírica de Camões. Paris, 1981;
* M.ª Clara Pereira da Costa, O enquadramento social da Família de Camões na Lisboa do século XVI. Lisboa, 1981;
* José Pedro Machado, Notas Camonianas. Lisboa, 1981;
* J. Filgueira Valverde, Camões. Coimbra, 1981; Cuatro lecciones sobre Camoens. Madrid, 1981;
* A. Pinto de Castro, Camões, poeta pelo mundo em pedaços repartido. Lisboa, 1981;
* A Viagem de "Os Lusíadas": símbolo e mito. Lisboa, 1981;
* E. Asensio e J. V. de Pina Martins, L. de Camões. El Humanismo en su obra poética. Los Lusíadas y las Rimas en la poesía española. Paris, 1982;
* M.ª Lucília G. Pires, A crítica camoniana no século XVII. Lisboa, 1982;
* J. de Sena, Estudos sobre o vocabulário de "Os Lusíadas". Lisboa, 1982;
* Jacinto do Prado Coelho, Camões e Pessoa, poetas da utopia. Lisboa, 1983;
* H. Cidade, L. de Camões. I. O Lírico. Lisboa, 1985; id., L. de Camões. II. O Épico. Lisboa, 1985;
* Camoniana Californiana. St.ª Bárbara, 1985;
* Vasco Graça Moura, Camões e a divina proporção. Lisboa, 1985; id., Os penhascos e a serpente. Lisboa, 1987;
* Fidelino de Figueiredo, A épica portuguesa do século XVI. Lisboa, 1987;
* Martim de Albuquerque, A expressão do Poder em L. de Camões. Lisboa, 1988;
* J. A. Cardoso Bernardes, O Bucolismo português. Coimbra, 1988;
* M.ª Helena Ribeiro da Cunha, A dialéctica do desejo na Lírica de Camões. Lisboa, 1989;
* A. Costa Ramalho, Camões no seu e no nosso tempo. Coimbra, 1992;
* Actas das Reuniões Internacionais de Camonistas: I (Lisboa, 1973); III (Coimbra, 1987); IV (Ponta Delgada, 1984) e V (S. Paulo, 1992);
* Revista Camoniana (S. Paulo, 10 vols publ. desde 1964).
* Grande enciclopédia do conhecimento
* Diccionario bibliographico portuguez, estudos de Innocencio Francisco da Silva, applicaveis a Portugal e ao Brasil. Lisboa, 1860. Reimpressão : Imprensa nacional - Casa da moeda 1998
Notas
1. ↑ 'Diccionario bibliographico portuguez, estudos de Innocencio Francisco da Silva
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* Instituto Camões (em português)
* Centro Virtual
* Navegações Portuguesas
* Obras de Luís Vaz de Camões na Biblioteca Nacional Digital (em português)
* Poemas de Camões na Rua da Poesia
* Poemas de Camões II (em português)
* Camões, herói humanista (em português)
* Luís de Camões, a lenda (em português)
* Os Lusíadas , audiobook disponibilizado por Librivox
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Que anda descontrolado e lento
Ele tem cansado, desliga só
O monitor quente e pesado
As conexões já não funcionam
A velocidade de internet baixa
Novos programas e aplicativos
A complexidade tem aumentado
O excesso de informação então...
O recente virou inoperante
A perfeição dos gigas da foto
Captam detalhes desconhecidos
Se modificar a placa do HD
E fizer umas melhorias
Surgem várias possibilidades
Inclusive oportunidades reais
Apesar de o virtual ser real...
Não só de design vive um PC...
Progredi no perfil, e isso...
Tantas páginas abertas, afes
Com as articulações falhas
E memória virtual fraca
Meus arquivos tem se perdido
Preciso trocar essa máquina
A vida se perde em cliques
Ou se ganha?
A realidade é o que importa
dizem os céticos
Mas e se o virtual for real?
A realidade as vezes é virtual
Ou você ainda não percebeu como a vida é uma imensa e descompassada ilusão?
Que anda descontrolado e lento
Ele tem cansado, desliga só
O monitor quente e pesado
As conexões já não funcionam
A velocidade de internet baixa
Novos programas e aplicativos
A complexidade tem aumentado
O excesso de informação então...
O recente virou inoperante
A perfeição dos gigas da foto
Captam detalhes desconhecidos
Se modificar a placa do HD
E fizer umas melhorias
Surgem várias possibilidades
Inclusive oportunidades reais
Apesar de o virtual ser real...
Não só de design vive um PC...
Progredi no perfil, e isso...
Tantas páginas abertas, afes
Com as articulações falhas
E memória virtual fraca
Meus arquivos tem se perdido
Preciso trocar essa máquina
A vida se perde em cliques
Ou se ganha?
A realidade é o que importa
dizem os céticos
Mas e se o virtual for real?
A realidade as vezes é virtual
Ou você ainda não percebeu como a vida é uma imensa e descompassada ilusão?
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Enquanto a chuva cai
Manoel Bandeira
A chuva cai. O ar fica mole . . .
Indistinto . . . ambarino . . . gris . . .
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.
Torvelinhai, torrentes do ar!
Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh'alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.
Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.
Volúpia dos abandonados . . .
Dos sós . . . — ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer . . .
Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!
A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!
Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!
E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.
É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,
O lamento das quedas-d'água!
A chuva cai. O ar fica mole . . .
Indistinto . . . ambarino . . . gris . . .
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.
Torvelinhai, torrentes do ar!
Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh'alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.
Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.
Volúpia dos abandonados . . .
Dos sós . . . — ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer . . .
Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!
A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!
Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!
E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.
É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,
O lamento das quedas-d'água!
Manoel Bandeira - Biografia
Manuel Bandeira
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho
Biografia
Nasceu em 19/04/1886, no Recife e morreu em 13/10/68, no Rio de Janeiro. Poeta que provavelmente foi a principal figura do Modernismo brasileiro, embora tenha se recusado a participar da Semana da Arte Moderna de 1922, em São Paulo.
Bandeira foi educado no Rio e São Paulo, mas em 1903 a tuberculose forçou-o a abandonar seu sonho de ser arquiteto (o pai era engenheiro). Muitos dos seus anos seguintes ele passou viajando em busca da cura, e durante este período leu extensamente e retomou a produção de poesia (seu primeiro poema, em alexandrinos, tinha saído em 1902).
Seus primeiros livros (A cinza das horas, 1917, e Carnaval, 1919) mostram a influência tardia dos simbolistas e parnasianos, mas alguns poemas de seu livro seguinte (Ritmo dissoluto, 1924) já contemplam a sensibilidade do modernismo emergente, que tentava liberar a poesia do academicismo e da influência européia. Libertinagem (1930) mostra claramente tendências modernistas nos seus versos livres, linguagem coloquial, sintaxe pouco convencional e o uso de temas folclóricos. Seus livros seguintes (Estrela da manhã, 1936, Lira dos cinqüent'anos, 1940, Mafuá do malungo, 1948, Opus 10, 1949, e Estrela da tarde, 1960) consolidaram sua posição como um dos maiores poetas brasileiros. Apesar de sua longa vida como poeta, só começou a ter lucro material com sua produção em 1937, quando ganha o prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira.
Na sua poesia, Bandeira abandonou o tom retórico de seus antecessores e usou a fala coloquial para tratar de temas triviais e eventos do dia-a-dia, com objetividade e humor.
Em 1935 é nomeado pelo Ministro Capanema inspetor de ensino secundário. Ensinou literatura no Colégio Pedro II, no Rio, de 1938 a 1943 e tornou-se professor na Universidade do Brasil naquele último ano.
Bandeira também traduziu vários poemas de inúmeros autores (Goethe, Jorge Luís Borges, Heine, Cummings, Rilke, Kahlil Gibran, Baudelaire, García Lorca, Elisabeth Browning, Emily Dickinson, Verlaine, etc.). Adicionalmente traduziu várias peças de teatro e livros em prosa, entre eles Macbeth (Shakespeare), Maria Stuart (Schiller) e A Prisioneira (de Em busca do tempo perdido, de Proust, em parceria).
Colaborador em vários jornais durante toda sua vida, produziu inúmeras crônicas e crítica artística. Foi ainda antologista (Antero de Quental, Gonçalves Dias), historiador literário (Noções de História das Literaturas) e biografista.
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho
Biografia
Nasceu em 19/04/1886, no Recife e morreu em 13/10/68, no Rio de Janeiro. Poeta que provavelmente foi a principal figura do Modernismo brasileiro, embora tenha se recusado a participar da Semana da Arte Moderna de 1922, em São Paulo.
Bandeira foi educado no Rio e São Paulo, mas em 1903 a tuberculose forçou-o a abandonar seu sonho de ser arquiteto (o pai era engenheiro). Muitos dos seus anos seguintes ele passou viajando em busca da cura, e durante este período leu extensamente e retomou a produção de poesia (seu primeiro poema, em alexandrinos, tinha saído em 1902).
Seus primeiros livros (A cinza das horas, 1917, e Carnaval, 1919) mostram a influência tardia dos simbolistas e parnasianos, mas alguns poemas de seu livro seguinte (Ritmo dissoluto, 1924) já contemplam a sensibilidade do modernismo emergente, que tentava liberar a poesia do academicismo e da influência européia. Libertinagem (1930) mostra claramente tendências modernistas nos seus versos livres, linguagem coloquial, sintaxe pouco convencional e o uso de temas folclóricos. Seus livros seguintes (Estrela da manhã, 1936, Lira dos cinqüent'anos, 1940, Mafuá do malungo, 1948, Opus 10, 1949, e Estrela da tarde, 1960) consolidaram sua posição como um dos maiores poetas brasileiros. Apesar de sua longa vida como poeta, só começou a ter lucro material com sua produção em 1937, quando ganha o prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira.
Na sua poesia, Bandeira abandonou o tom retórico de seus antecessores e usou a fala coloquial para tratar de temas triviais e eventos do dia-a-dia, com objetividade e humor.
Em 1935 é nomeado pelo Ministro Capanema inspetor de ensino secundário. Ensinou literatura no Colégio Pedro II, no Rio, de 1938 a 1943 e tornou-se professor na Universidade do Brasil naquele último ano.
Bandeira também traduziu vários poemas de inúmeros autores (Goethe, Jorge Luís Borges, Heine, Cummings, Rilke, Kahlil Gibran, Baudelaire, García Lorca, Elisabeth Browning, Emily Dickinson, Verlaine, etc.). Adicionalmente traduziu várias peças de teatro e livros em prosa, entre eles Macbeth (Shakespeare), Maria Stuart (Schiller) e A Prisioneira (de Em busca do tempo perdido, de Proust, em parceria).
Colaborador em vários jornais durante toda sua vida, produziu inúmeras crônicas e crítica artística. Foi ainda antologista (Antero de Quental, Gonçalves Dias), historiador literário (Noções de História das Literaturas) e biografista.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Reggaeton, Funk e sexo - Uma visão sociocultural da música marginal
O reggaeton assim como o funk são estilos de música marginais da América Latina. O funk no Brasil e reggaeton nos países latinos em geral. A origem de ambos foi umas mistura de estilos já marginais que tiveram a surgência de outro. Pois bem, mas a minha discussão não é sobre a origem e a atualidade desses estilos, nem sobre a pobreza de letras e ritmo de ambas. Mas a respeito do preconceito com a temática. As pessoas escutam músicas de MPB com estilos repetitivos, mas mais lentos e letras curtas que muitas vezes tratam do mesmo tema sexo e consideram essas músicas ricas de melodia e letra. Mas o sexo tratado no reggaeton e no funk não. Eles tratam de uma forma pervertida. Mas o que é tratar o sexo de uma forma pervertida? É falar explicitamente, falar claro sobre esse tema? E porque não falar claramente sobre sexo?
A respeito do ritmo e melodia é simplesmente mais uma música pop. Praticamente todas as músicas denominadas pop tem ritmos repetitivos e características de batidas fortes. Algumas variam entre batidas eletrônicas, outras em intrumentos de percurssão. Mas pode se dizer que para uma música ser pop, uma batida repetida é necessária. Isso inclui também a “sacra” música clássica quando popularizada. É só pegar uma das músicas clássicas que são mais populares como O Bolero de Ravel e popularizar mais ainda! Pronto criou-se uma música pop.
A respeito da temática elas são tratadas de forma superficial de forma geral. Mas até nisso podemos refletir. O que é um tema tratado de forma objetiva e o que é um tema tratado de forma superficial? Ambos são ditos em poucas palavras e fazem conclusões a respeito de um tema. O tema tratado de forma objetiva pode ter sentido mais completo que o tratado de forma superficial, mas considerando que para discorrer a respeito de um tema é necessário explicações e detalhes. Ambos podem ser interpretados como superficial, ou porque não? Objetivos.
A principal critica de forma geral não é a forma com que é tratado o tema. Mas o teor sexual da maior parte das músicas. Nesse sentido é uma hipocrisia sem medidas querer que um grupo marginal na sociedade, que não tem acesso à nossa “arte” fale e escreva como os “eruditos”. Por que não dar melhores condições de vida e estudo pra essa população ao invés de criticar o nível de escolaridade deles? Dizer que o sexo que eles tratam no funk e reggaeton é sujo é tão verdadeiro como dizer que o sexo da classe A ou B é limpo. Sexo é sexo. E ponto final. E mesmo com 500 anos (ou mais) de dominação católica na nossa sociedade, já passou da hora de encararmos as coisas naturais como coisas naturais. Considerar sujo o ato sexual é como considerar sujos os alimentos orgânicos por serem adubados com adubo natural, ou considerar as águas de fontes sujas porque tem barro misturado.
Não se pode falar francamente sobre sexo por hipocrisia de uma sociedade que finge ser assexuada pra ganhar mais status e dinheiro. Querer alcançar uma profissão de sucesso e se preocupar em ganhar bastante dinheiro, para ter os luxos ao bel prazer do individuo é mais sujo do que produzir uma música que fala de um ato sexual explicitamente. Eu sinceramente não gosto de funk, mas gosto sim dos ritmos do reggaeton, apesar da qualidade técnica nem sempre ser a melhor maravilha do mundo. Mas o principal nessa discussão não é defender esse tipo de música em si, mas de tirar as máscaras de Cult e intelectual antes de ouvir ou ver ou ler qualquer coisa. Porque tudo o que é produzido tem um fundo histórico e social a ser observado antes de qualquer julgamento. E julgar por hipocrisia, é uma absurdo em tempos “modernos”.
Não sabe o que é reggaeton?
http://www.reggaetonbr.com/
A respeito do ritmo e melodia é simplesmente mais uma música pop. Praticamente todas as músicas denominadas pop tem ritmos repetitivos e características de batidas fortes. Algumas variam entre batidas eletrônicas, outras em intrumentos de percurssão. Mas pode se dizer que para uma música ser pop, uma batida repetida é necessária. Isso inclui também a “sacra” música clássica quando popularizada. É só pegar uma das músicas clássicas que são mais populares como O Bolero de Ravel e popularizar mais ainda! Pronto criou-se uma música pop.
A respeito da temática elas são tratadas de forma superficial de forma geral. Mas até nisso podemos refletir. O que é um tema tratado de forma objetiva e o que é um tema tratado de forma superficial? Ambos são ditos em poucas palavras e fazem conclusões a respeito de um tema. O tema tratado de forma objetiva pode ter sentido mais completo que o tratado de forma superficial, mas considerando que para discorrer a respeito de um tema é necessário explicações e detalhes. Ambos podem ser interpretados como superficial, ou porque não? Objetivos.
A principal critica de forma geral não é a forma com que é tratado o tema. Mas o teor sexual da maior parte das músicas. Nesse sentido é uma hipocrisia sem medidas querer que um grupo marginal na sociedade, que não tem acesso à nossa “arte” fale e escreva como os “eruditos”. Por que não dar melhores condições de vida e estudo pra essa população ao invés de criticar o nível de escolaridade deles? Dizer que o sexo que eles tratam no funk e reggaeton é sujo é tão verdadeiro como dizer que o sexo da classe A ou B é limpo. Sexo é sexo. E ponto final. E mesmo com 500 anos (ou mais) de dominação católica na nossa sociedade, já passou da hora de encararmos as coisas naturais como coisas naturais. Considerar sujo o ato sexual é como considerar sujos os alimentos orgânicos por serem adubados com adubo natural, ou considerar as águas de fontes sujas porque tem barro misturado.
Não se pode falar francamente sobre sexo por hipocrisia de uma sociedade que finge ser assexuada pra ganhar mais status e dinheiro. Querer alcançar uma profissão de sucesso e se preocupar em ganhar bastante dinheiro, para ter os luxos ao bel prazer do individuo é mais sujo do que produzir uma música que fala de um ato sexual explicitamente. Eu sinceramente não gosto de funk, mas gosto sim dos ritmos do reggaeton, apesar da qualidade técnica nem sempre ser a melhor maravilha do mundo. Mas o principal nessa discussão não é defender esse tipo de música em si, mas de tirar as máscaras de Cult e intelectual antes de ouvir ou ver ou ler qualquer coisa. Porque tudo o que é produzido tem um fundo histórico e social a ser observado antes de qualquer julgamento. E julgar por hipocrisia, é uma absurdo em tempos “modernos”.
Não sabe o que é reggaeton?
http://www.reggaetonbr.com/
O homem cuja orelha cresceu
Ignácio de Loyola Brandão
Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora-extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como de cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Ficou só olhando. Elas cresciam, chegavam a cintura. Finas, compridas, como fitas de carne, enrugadas. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário de material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. Se tivesse um amigo, ou namorada, iria mostrar o que estava acontecendo. Mas o escriturário não conhecia ninguém a não ser os colegas de escritório. Colegas, não amigos. Ele abriu a camisa, enfiou as orelhas para dentro. Enrolou uma toalha na cabeça, como se estivesse machucado.
Quando chegou na pensão, a orelha saia pela perna da calça. O escriturário tirou a roupa. Deitou-se, louco para dormir e esquecer. E se fosse ao médico? Um otorrinolaringologista. A esta hora da noite? Olhava o forro branco. Incapaz de pensar, dormiu de desespero.
Ao acordar, viu aos pés da cama o monte de uns trinta centímetros de altura. A orelha crescera e se enrolara como cobra. Tentou se levantar. Difícil. Precisava segurar as orelhas enroladas. Pesavam. Ficou na cama. E sentia a orelha crescendo, com uma cosquinha. O sangue correndo para lá, os nervos, músculos, a pele se formando, rápido. Às quatro da tarde, toda a cama tinha sido tomada pela orelha. O escriturário sentia fome, sede. Às dez da noite, sua barriga roncava. A orelha tinha caído para fora da cama. Dormiu.
Acordou no meio da noite com o barulhinho da orelha crescendo. Dormiu de novo e quando acordou na manhã seguinte, o quarto se enchera com a orelha. Ela estava em cima do guarda-roupa, embaixo da cama, na pia. E forçava a porta. Ao meio-dia, a orelha derrubou a porta, saiu pelo corredor. Duas horas mais tarde, encheu o corredor. Inundou a casa. Os hospedes fugiram para a rua. Chamaram a polícia, o corpo de bombeiros. A orelha saiu para o quintal. Para a rua.
Vieram os açougueiros com facas, machados, serrotes. Os açougueiros trabalharam o dia inteiro cortando e amontoando. O prefeito mandou dar a carne aos pobres. Vieram os favelados, as organizações de assistência social, irmandades religiosas, donos de restaurantes, vendedores de churrasquinho na porta do estádio, donas-de-casa. Vinham com cestas, carrinhos, carroças, camionetas. Toda a população apanhou carne de orelha. Apareceu um administrador, trouxe sacos de plástico, higiênicos, organizou filas, fez uma distribuição racional.
E quando todos tinham levado carne para aquele dia e para os outros, começaram a estocar. Encheram silos, frigoríficos, geladeiras. Quando não havia mais onde estocar a carne de orelha, chamaram outras cidades. Vieram novos açougueiros. E a orelha crescia, era cortada e crescia, e os açougueiros trabalhavam. E vinham outros açougueiros. E os outros se cansavam. E a cidade não suportava mais carne de orelha. O povo pediu uma providência ao prefeito. E o prefeito ao governador. E o governador ao presidente.
E quando não havia solução, um menino, diante da rua cheia de carne de orelha, disse a um policial: "Por que o senhor não mata o dono da orelha?"
O texto acima foi extraído do livro "Os melhores contos de Ignácio de Loyola Brandão", seleção de Deonísio da Silva, Global Editora — São Paulo, 1993, pág. 135.
Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora-extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como de cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Ficou só olhando. Elas cresciam, chegavam a cintura. Finas, compridas, como fitas de carne, enrugadas. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário de material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. Se tivesse um amigo, ou namorada, iria mostrar o que estava acontecendo. Mas o escriturário não conhecia ninguém a não ser os colegas de escritório. Colegas, não amigos. Ele abriu a camisa, enfiou as orelhas para dentro. Enrolou uma toalha na cabeça, como se estivesse machucado.
Quando chegou na pensão, a orelha saia pela perna da calça. O escriturário tirou a roupa. Deitou-se, louco para dormir e esquecer. E se fosse ao médico? Um otorrinolaringologista. A esta hora da noite? Olhava o forro branco. Incapaz de pensar, dormiu de desespero.
Ao acordar, viu aos pés da cama o monte de uns trinta centímetros de altura. A orelha crescera e se enrolara como cobra. Tentou se levantar. Difícil. Precisava segurar as orelhas enroladas. Pesavam. Ficou na cama. E sentia a orelha crescendo, com uma cosquinha. O sangue correndo para lá, os nervos, músculos, a pele se formando, rápido. Às quatro da tarde, toda a cama tinha sido tomada pela orelha. O escriturário sentia fome, sede. Às dez da noite, sua barriga roncava. A orelha tinha caído para fora da cama. Dormiu.
Acordou no meio da noite com o barulhinho da orelha crescendo. Dormiu de novo e quando acordou na manhã seguinte, o quarto se enchera com a orelha. Ela estava em cima do guarda-roupa, embaixo da cama, na pia. E forçava a porta. Ao meio-dia, a orelha derrubou a porta, saiu pelo corredor. Duas horas mais tarde, encheu o corredor. Inundou a casa. Os hospedes fugiram para a rua. Chamaram a polícia, o corpo de bombeiros. A orelha saiu para o quintal. Para a rua.
Vieram os açougueiros com facas, machados, serrotes. Os açougueiros trabalharam o dia inteiro cortando e amontoando. O prefeito mandou dar a carne aos pobres. Vieram os favelados, as organizações de assistência social, irmandades religiosas, donos de restaurantes, vendedores de churrasquinho na porta do estádio, donas-de-casa. Vinham com cestas, carrinhos, carroças, camionetas. Toda a população apanhou carne de orelha. Apareceu um administrador, trouxe sacos de plástico, higiênicos, organizou filas, fez uma distribuição racional.
E quando todos tinham levado carne para aquele dia e para os outros, começaram a estocar. Encheram silos, frigoríficos, geladeiras. Quando não havia mais onde estocar a carne de orelha, chamaram outras cidades. Vieram novos açougueiros. E a orelha crescia, era cortada e crescia, e os açougueiros trabalhavam. E vinham outros açougueiros. E os outros se cansavam. E a cidade não suportava mais carne de orelha. O povo pediu uma providência ao prefeito. E o prefeito ao governador. E o governador ao presidente.
E quando não havia solução, um menino, diante da rua cheia de carne de orelha, disse a um policial: "Por que o senhor não mata o dono da orelha?"
O texto acima foi extraído do livro "Os melhores contos de Ignácio de Loyola Brandão", seleção de Deonísio da Silva, Global Editora — São Paulo, 1993, pág. 135.
Ignácio de Loyola Brandão - Biografia
Ignácio de Loyola Brandão
"Ela é fundamental. Ser máquina, despida de emoções.
Arrancar de dentro sentimentos e atirá-los ao lixo.
Liberar-se dos empecilhos.
Não se comover com o choro, a dor e a tristeza alheias
A dor do outro é do outro, não pode penetrar em você, te algemar."
(Impiedade)
Ignácio de Loyola Lopes Brandão nasceu em Araraquara - SP, no dia 31 de julho de 1936, dia de Santo Ignácio de Loyola, filho de Antônio Maria Brandão, contador, funcionário da Estrada de Ferro Araraquarense, e de Maria do Rosário Lopes Brandão. Foram, ao todo, cinco irmãos: Luiz Gonzaga (1933), Francisco de Assis (1934 - já falecido), Ignácio, José Maria (1946 - já falecido) e João Bosco (1953).
Inicia seus estudos na escola primária de D. Cristina Machado, em 1944, onde cursa o primeiro ano. No ano seguinte transfere-se para a escola da professora D. Lourdes de Carvalho. Seu pai, que chegou a publicar histórias em jornais locais e que conseguiu formar uma biblioteca com mais de 500 volumes, o incentivou a ler desde que foi alfabetizado. Fascinado por dicionários, chegou a trocar com seus colegas de classe palavras por bolinhas de gude e figurinhas. Mais tarde, esse fato acabou se transformando no conto "O menino que vendia palavras", primeiro a ser publicado pelo autor.
Em 1946, passa a estudar no Colégio Progresso de Araraquara. Participa de concurso de desenho patrocinado pelo Consulado da França com o tema "Como você vê a Paris libertada", sendo agraciado com os livros "Pinóquio" e "O barba azul".
Para cursar o ginásio, em 1948 ingressa no Colégio Estadual e Escola Normal Bento de Abreu, hoje Escola Estadual Bento de Abreu. Nesse período escreve seu primeiro romance num caderno, com o título de "Dias de Glória", policial cuja ação se passa em Veneza.
Em 1955, inicia o curso científico, muito embora admita hoje que foi por engano. "Deveria ter me inscrito no clássico, mais apropriado para quem pretendia se dedicar a Humanas".
A Folha Ferroviária, semanário da cidade de Araraquara, publica no dia 16 de agosto de 1952 uma crítica do filme "Rodolfo Valentino", primeiro texto de Ignácio. Dias depois, o jornal Correio Popular daquela cidade a reproduz.
Dado o primeiro passo, o precoce escritor passa a escrever reportagens, críticas de cinema e entrevistas em outro diário de Araraquara, O Imparcial. Nele aprende a arte da tipografia, lidando com composição com linotipo, clichê em zinco e paginação em chumbo. Em 1955 inaugura a primeira coluna social da cidade.
Se apaixona pelo cinema e participa, em 1953, das filmagens de "Aurora de uma cidade", semidocumentário dirigido por Wallace Leal. No ano seguinte funda o Clube de Cinema de Araraquara.
Concluído o curso científico, em 1956, muda-se para São Paulo e vai trabalhar no jornal Última Hora, tendo ali permanecido por nove anos. Um fato interessante marca sua admissão. Aguardando para ser entrevistado, ouve o chefe de reportagem perguntar quem sabia falar inglês, pois precisava de uma entrevista com o irmão do presidente do Estados Unidos, General Eisenhower, que se encontrava na cidade. Sem pestanejar o biografado disse "Eu sei". Fez a entrevista, com seu inglês capenga aprendido no ginásio e nos filmes que assistiu em Araraquara. Sua entrevista teve chamada de primeira página. Como seu francês, também aprendido no ginásio, era bem melhor que o inglês, ganhou status de entrevistador de personalidades internacionais.
Seu gosto pelo cinema permanece e, em 1961, participa como figurante de O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte, baseado em peça homônima de Dias Gomes, vencedor no Festival de Cannes em 1962.
No ano seguinte parte para a Itália, onde pretendia trabalhar como roteirista em Cinecittà. Para poder viver por lá, enquanto seu sonho não se realiza, manda reportagens para a Ultima Hora, faz sinopses de roteiros e faz coberturas — como a da morte do Papa João XXIII — para a TV Excelsior. Nessa época afirma que assistiu 53 vezes ao filme "Oito e meio" de Federico Fellini, o que, segundo admitiu, o influenciou na feitura do seu romance "Zero".
Na sua volta ao Brasil, começa a escrever o romance "Os imigrantes", com seu amigo araraquarense José Celso Martinez Correa. Nessa época Zé Celso dirigia a peça de grande sucesso, "Os pequenos burgueses", que Ignácio afirma ter assistido mais de 100 vezes. O romance, por não haver acordo quanto ao nome do personagem principal, não chegou a ser concluído.
Em 1965, usando de uma divulgação inovadora, lança seu primeiro livro: "Depois do sol" (contos).
No ano seguinte começa a trabalhar na revista Cláudia, como redator, chegando a redator chefe dois anos depois.
Em 1968, ocorre o lançamento de "Bebel que a cidade comeu", seu primeiro romance. O livro é adaptado para o cinema por Maurice Capovilla, com Rossana Ghessa no papel-título e roteiro do próprio Ignácio, Capovilla e Mário Chamie. O filme recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de "Melhor Roteiro Cinematográfico". Ainda nesse ano, o escritor recebe o Prêmio Especial do I Concurso Nacional de Contos do Paraná por "Pega ele, Silêncio", publicado posteriormente em "Os melhores contos do Brasil". Sua mãe falece, aos 60 anos.
Baseado em seu conto "Ascensão ao mundo de Annuska", publicado em "Depois do sol", Francisco Ramalho filma "Anuska, manequim e mulher", em 1969.
No ano seguinte, casa-se com a Maria Beatriz Braga, psicóloga, ligação que duraria até 1978. Trabalha nas revistas "Realidade" e em "Setenta".
Contratado para editar a versão brasileira de "Planeta", a primeira revista esotérica do Brasil, em 1972. Nasce seu primeiro filho, Daniel.
Desde 1960 Ignácio tinha na cabeça uma idéia surgida de um conto — sobre um grupo de amigos que vai a uma vila em busca de um garoto que teria música na barriga — escrito para uma antologia de histórias urbanas organizada por Plínio Marcos para a Editora Senzala e que não chegaria a ser lançada. Escreveu, depois, diversas novelas paralelas a ela, ao mesmo tempo em que colecionava recortes de jornais, prospectos e anúncios. Com isso, reuniu material que lhe permitia ter um retrato sem retoques do homem comum, vivendo numa cidade violenta e num clima ditatorial. Em 1974, escreve o romance, com 800 páginas iniciais, sob o título "A inauguração da morte".
Feita a primeira revisão, são cortadas 150 páginas. Entrega, então, o texto ao amigo e escritor Jorge de Andrade, que sugeriu novos cortes — acatados pelo autor. Jorge comenta o romance com Luciana Stegagno Picchio, que lecionava Literaturas Portuguesa e Brasileira na Universidade de Roma. Luciana se interessa pelo texto, já com o título de "Zero" e, após lê-lo, encaminha o livro para a editora Feltrinelli, de Milão, que o publica em uma série intitulada "I Narratori", onde Ignácio fica na companhia do ilustre João Guimarães Rosa, único brasileiro até então publicado.
Em 1975, após o lançamento de "Zero" no Brasil, Ignácio participa de inúmeros encontros com seus leitores, debatendo sua obra e a situação do país. No primeiro encontro, realizado no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, ele contou com a presença de João Antônio, Wander Priolli, José Louzeiro, Antônio Torres e Juarez Barroso.
Em julho de 1976 "Zero" recebe o prêmio de "Melhor Ficção", concedido pela Fundação Cultural do Distrito Federal. Em novembro o livro é censurado pelo Ministério da Justiça e sua venda é proibida. Lança "Dentes ao sol" (romance) e "Cadeiras proibidas" (contos) e, em 1977, o infanto-juvenil "Cães danados".
Escreve "Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida" (livro-reportagem), após participar, em 1978, do júri do Prêmio Casa de Las Américas.
"Zero" é liberado pela censura em 1979. Passa a viver com a jornalista Angela Rodrigues Alves, união que duraria até 1982. Deixa o jornalismo para se dedicar integralmente à literatura.
Nova York, Flórida, Georgetown, Albuquerque, Tucson, San Diego foram as cidades em cujas universidades o autor fez conferências, em 1980, a convide da Fundação Fullbright, dos EUA.
Em 1981, sai o romance "Não verás país nenhum". Visita a Nicarágua por ocasião das comemorações do segundo aniversário da Revolução Sandinista.
"É gol" (narrativa-homenagem ao futebol) é lançado em 1982. A convite da Fundação Alemã de Intercâmbio Cultural, viaja em março para Berlim, onde permanece por dezesseis meses. Lá, publica "Oh-ja-ja-ja", uma seleta de seu diário berlinense, ainda inédito em português.
Voltando ao Brasil, em 1983, publica "Cabeças de segunda-feira" (contos).
Em 1984, lança "O verde violentou o muro", onde narra sua experiência alemã. O senador italiano Amintore Fanfani lhe entrega o Prêmio IILA, do Instituto Ítalo-Latino-Americano, pelo romance "Não verás país nenhum", publicado na Itália no ano anterior. Assume a vice-presidência da União Brasileira de Escritores, onde permanecerá até 1986.
Participa das Jornadas Literárias na cidade de Passo Fundo (RS), em 1985. Desde então, lá comparece a cada dois anos para participar do evento. Lança o romance "O beijo não vem da boca".
Em 1986, volta a Berlim, como convidado especial, para participar dos festejos dos 750 anos da cidade. Participa de encontro sobre literatura brasileira promovido pela Universidade de Colônia, na Alemanha, ao lado de João Ubaldo Ribeiro e Haroldo de Campos. Casa-se com a arquiteta Márcia Gullo e participa, como figurante, de "No país dos tenentes", filme de João Batista de Andrade.
"O ganhador" (romance) e "O homem do furo na mão" (contos) são lançados em 1987. O primeiro receberia, no ano seguinte, os Prêmios Pedro Nava (da Academia Brasileira de Letras) e Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria "Melhor Romance". "Não verás país nenhum" é encenado no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, sob a direção de Júlio Maciel.
Em 1988, lança o volume de contos e crônicas "A rua de nomes no ar". No ano seguinte, "Manifesto verde", que havia sido publicado em 1985 como brinde do Círculo do Livro, é lançado comercialmente. Publica o álbum infanto-juvenil "O homem que espalhou o deserto".
Como diretor de redação da revista Vogue, Ignácio volta ao jornalismo, em 1990. Passa a escrever crônicas para o jornal Folha da Tarde.
"Zero", um espetáculo de dança realizado pelo Balé da Cidade, inspirado em seu romance homônimo, é apresentado no Teatro Municipal de São Paulo no ano de 1992. Vai à Zurique, na Suíça, onde participa de leituras de sua obra.
Em 1993, começa a escrever uma crônica no caderno "Cidades" de "O Estado de São Paulo" que, a partir de 2000, seria transferida para o "Caderno 2". Seu pai falece, aos 88 anos.
No ano de 1995 realiza três lançamentos: "O anjo do adeus" (romance), "Strip-tease de Gilda" (crônicas) e "O menino que não teve medo do medo" (infanto-juvenil).
Afligido por fortes tonturas, descobre existir um aneurisma cerebral. Submete-se, em maio de 1996, a uma bem-sucedida cirurgia, que dura onze horas.
Publica "Veia bailarina", em 1997, onde conta sua experiência como aneurisma. Em 15 de abril inaugura, no Instituto Moreira Salles de São Paulo, a série "O escritor por ele mesmo".
Em 1998, publica "Sonhando com o demônio", seu terceiro livro de crônicas. No ano seguinte é lançado "O homem que odiava a segunda-feira (contos).
Recebe o Prêmio Jabuti de "Melhor Livro de Contos", em 2000, por "O homem que odiava a segunda-feira".
Obras do autor:
Contos:
Depois do sol, Brasiliense, 1965
Pega ele, Silêncio, Símbolo, 1976
Cadeiras proibidas, Símbolo, 1976
Cabeças de segunda-feira, Codecri, 1983
O homem do furo na mão, Ática, 1987
O homem que odiava segunda-feira, Global, 1999
Romances:
Bebel que a cidade comeu, Brasiliense, 1968
Zero, Brasília/Rio, 1975
Dentes ao sol, Brasília/Rio, 1976
Não verás país nenhum, Codecri, 1981
O beijo não vem da boca, Global, 1985
O ganhador, Glogal, 1987
O anjo do adeus, Global, 1995
Infanto-juvenis:
Cães danados, Belo Horizonte Comunicações, 1977. Reescrito e publicado com o título "O menino que não teve medo do medo", Global, 1995.
O homem que espalhou o deserto, Ground, 1989
Viagens:
Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida, Livraria Cultura, 1978
O verde violentou o muro, Global, 1984
Relatos autobiográficos:
Oh-ja-ja-ja (Diário de Berlim, inédito em português). Tradução de Henry Thorau. LCB, 1982
Veia bailarina, Global, 1997
Cartilha:
Manifesto verde, Círculo do Livro, 1985 e Ground, 1989
Crônicas:
A rua de nomes no ar, Círculo do Livro, 1988
Strip-tease de Gilda, Fundação Memorial da América Latina, 1995
Sonhando com o demônio, Mercado Aberto, 1998
Biografias:
Fleming, descobridor da penicilina, Ed. Três, 1973
Edison, o inventor da lâmpada, Ed. Três, 1973
Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, Ed. Três, 1974
Antologia:
Os melhores contos de Ignácio de Loyola Brandão, organização de Deonísio da Silva, Global, 1994
Traduções:
Para o alemão:
Null (Zero), Suhrkamp, 1979
Kein land wie dieses (Não verás país nenhum), Suhrkamp, 1984
Para o coreano:
(Zero), Seto, 1990
Para o espanhol:
Cero (Zero), Galba, 1976
El hombre que espandió el desierto (O homem que espalhou o deserto), Global - México, 2000
Para o húngaro:
(Zero), JAK, 1990
Para o inglês:
Zero, Avon Books, 1983
And still the earth (Não verás país nenhum), Avon Books, 1984
Teeth under the sun (Dentes ao sol), Dalkey Archive Press, 2007
Para o italiano:
Zero, Feltrinelli, 1974
Non vedrai paese alcuno (Não verás país nenhum), Mondadori, 1983
Vietat le sedie (Cadeiras proibidas), Marietti, 1983
Adaptações:
Para o teatro:
Não verás país nenhum. Direção de Júlio Maciel, Fortaleza, Teatro José de Alencar, 1987 (baseado no romance homônimo)
Para o cinema:
Bebel, a garota-propaganda. Direção de Maurice Capovilla, 1986 (baseado no romance Bebel que a cidade comeu)
Anuska, manequim e mulher. Direção de Francisco Ramalho, 1969 (baseado no conto Ascensão ao mundo de Annuska").
Dados extraídos de livros do autor, da Internet e dos Cadernos de Literatura Brasileira, Instituto Moreira Salles, São Paulo.
"Ela é fundamental. Ser máquina, despida de emoções.
Arrancar de dentro sentimentos e atirá-los ao lixo.
Liberar-se dos empecilhos.
Não se comover com o choro, a dor e a tristeza alheias
A dor do outro é do outro, não pode penetrar em você, te algemar."
(Impiedade)
Ignácio de Loyola Lopes Brandão nasceu em Araraquara - SP, no dia 31 de julho de 1936, dia de Santo Ignácio de Loyola, filho de Antônio Maria Brandão, contador, funcionário da Estrada de Ferro Araraquarense, e de Maria do Rosário Lopes Brandão. Foram, ao todo, cinco irmãos: Luiz Gonzaga (1933), Francisco de Assis (1934 - já falecido), Ignácio, José Maria (1946 - já falecido) e João Bosco (1953).
Inicia seus estudos na escola primária de D. Cristina Machado, em 1944, onde cursa o primeiro ano. No ano seguinte transfere-se para a escola da professora D. Lourdes de Carvalho. Seu pai, que chegou a publicar histórias em jornais locais e que conseguiu formar uma biblioteca com mais de 500 volumes, o incentivou a ler desde que foi alfabetizado. Fascinado por dicionários, chegou a trocar com seus colegas de classe palavras por bolinhas de gude e figurinhas. Mais tarde, esse fato acabou se transformando no conto "O menino que vendia palavras", primeiro a ser publicado pelo autor.
Em 1946, passa a estudar no Colégio Progresso de Araraquara. Participa de concurso de desenho patrocinado pelo Consulado da França com o tema "Como você vê a Paris libertada", sendo agraciado com os livros "Pinóquio" e "O barba azul".
Para cursar o ginásio, em 1948 ingressa no Colégio Estadual e Escola Normal Bento de Abreu, hoje Escola Estadual Bento de Abreu. Nesse período escreve seu primeiro romance num caderno, com o título de "Dias de Glória", policial cuja ação se passa em Veneza.
Em 1955, inicia o curso científico, muito embora admita hoje que foi por engano. "Deveria ter me inscrito no clássico, mais apropriado para quem pretendia se dedicar a Humanas".
A Folha Ferroviária, semanário da cidade de Araraquara, publica no dia 16 de agosto de 1952 uma crítica do filme "Rodolfo Valentino", primeiro texto de Ignácio. Dias depois, o jornal Correio Popular daquela cidade a reproduz.
Dado o primeiro passo, o precoce escritor passa a escrever reportagens, críticas de cinema e entrevistas em outro diário de Araraquara, O Imparcial. Nele aprende a arte da tipografia, lidando com composição com linotipo, clichê em zinco e paginação em chumbo. Em 1955 inaugura a primeira coluna social da cidade.
Se apaixona pelo cinema e participa, em 1953, das filmagens de "Aurora de uma cidade", semidocumentário dirigido por Wallace Leal. No ano seguinte funda o Clube de Cinema de Araraquara.
Concluído o curso científico, em 1956, muda-se para São Paulo e vai trabalhar no jornal Última Hora, tendo ali permanecido por nove anos. Um fato interessante marca sua admissão. Aguardando para ser entrevistado, ouve o chefe de reportagem perguntar quem sabia falar inglês, pois precisava de uma entrevista com o irmão do presidente do Estados Unidos, General Eisenhower, que se encontrava na cidade. Sem pestanejar o biografado disse "Eu sei". Fez a entrevista, com seu inglês capenga aprendido no ginásio e nos filmes que assistiu em Araraquara. Sua entrevista teve chamada de primeira página. Como seu francês, também aprendido no ginásio, era bem melhor que o inglês, ganhou status de entrevistador de personalidades internacionais.
Seu gosto pelo cinema permanece e, em 1961, participa como figurante de O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte, baseado em peça homônima de Dias Gomes, vencedor no Festival de Cannes em 1962.
No ano seguinte parte para a Itália, onde pretendia trabalhar como roteirista em Cinecittà. Para poder viver por lá, enquanto seu sonho não se realiza, manda reportagens para a Ultima Hora, faz sinopses de roteiros e faz coberturas — como a da morte do Papa João XXIII — para a TV Excelsior. Nessa época afirma que assistiu 53 vezes ao filme "Oito e meio" de Federico Fellini, o que, segundo admitiu, o influenciou na feitura do seu romance "Zero".
Na sua volta ao Brasil, começa a escrever o romance "Os imigrantes", com seu amigo araraquarense José Celso Martinez Correa. Nessa época Zé Celso dirigia a peça de grande sucesso, "Os pequenos burgueses", que Ignácio afirma ter assistido mais de 100 vezes. O romance, por não haver acordo quanto ao nome do personagem principal, não chegou a ser concluído.
Em 1965, usando de uma divulgação inovadora, lança seu primeiro livro: "Depois do sol" (contos).
No ano seguinte começa a trabalhar na revista Cláudia, como redator, chegando a redator chefe dois anos depois.
Em 1968, ocorre o lançamento de "Bebel que a cidade comeu", seu primeiro romance. O livro é adaptado para o cinema por Maurice Capovilla, com Rossana Ghessa no papel-título e roteiro do próprio Ignácio, Capovilla e Mário Chamie. O filme recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de "Melhor Roteiro Cinematográfico". Ainda nesse ano, o escritor recebe o Prêmio Especial do I Concurso Nacional de Contos do Paraná por "Pega ele, Silêncio", publicado posteriormente em "Os melhores contos do Brasil". Sua mãe falece, aos 60 anos.
Baseado em seu conto "Ascensão ao mundo de Annuska", publicado em "Depois do sol", Francisco Ramalho filma "Anuska, manequim e mulher", em 1969.
No ano seguinte, casa-se com a Maria Beatriz Braga, psicóloga, ligação que duraria até 1978. Trabalha nas revistas "Realidade" e em "Setenta".
Contratado para editar a versão brasileira de "Planeta", a primeira revista esotérica do Brasil, em 1972. Nasce seu primeiro filho, Daniel.
Desde 1960 Ignácio tinha na cabeça uma idéia surgida de um conto — sobre um grupo de amigos que vai a uma vila em busca de um garoto que teria música na barriga — escrito para uma antologia de histórias urbanas organizada por Plínio Marcos para a Editora Senzala e que não chegaria a ser lançada. Escreveu, depois, diversas novelas paralelas a ela, ao mesmo tempo em que colecionava recortes de jornais, prospectos e anúncios. Com isso, reuniu material que lhe permitia ter um retrato sem retoques do homem comum, vivendo numa cidade violenta e num clima ditatorial. Em 1974, escreve o romance, com 800 páginas iniciais, sob o título "A inauguração da morte".
Feita a primeira revisão, são cortadas 150 páginas. Entrega, então, o texto ao amigo e escritor Jorge de Andrade, que sugeriu novos cortes — acatados pelo autor. Jorge comenta o romance com Luciana Stegagno Picchio, que lecionava Literaturas Portuguesa e Brasileira na Universidade de Roma. Luciana se interessa pelo texto, já com o título de "Zero" e, após lê-lo, encaminha o livro para a editora Feltrinelli, de Milão, que o publica em uma série intitulada "I Narratori", onde Ignácio fica na companhia do ilustre João Guimarães Rosa, único brasileiro até então publicado.
Em 1975, após o lançamento de "Zero" no Brasil, Ignácio participa de inúmeros encontros com seus leitores, debatendo sua obra e a situação do país. No primeiro encontro, realizado no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, ele contou com a presença de João Antônio, Wander Priolli, José Louzeiro, Antônio Torres e Juarez Barroso.
Em julho de 1976 "Zero" recebe o prêmio de "Melhor Ficção", concedido pela Fundação Cultural do Distrito Federal. Em novembro o livro é censurado pelo Ministério da Justiça e sua venda é proibida. Lança "Dentes ao sol" (romance) e "Cadeiras proibidas" (contos) e, em 1977, o infanto-juvenil "Cães danados".
Escreve "Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida" (livro-reportagem), após participar, em 1978, do júri do Prêmio Casa de Las Américas.
"Zero" é liberado pela censura em 1979. Passa a viver com a jornalista Angela Rodrigues Alves, união que duraria até 1982. Deixa o jornalismo para se dedicar integralmente à literatura.
Nova York, Flórida, Georgetown, Albuquerque, Tucson, San Diego foram as cidades em cujas universidades o autor fez conferências, em 1980, a convide da Fundação Fullbright, dos EUA.
Em 1981, sai o romance "Não verás país nenhum". Visita a Nicarágua por ocasião das comemorações do segundo aniversário da Revolução Sandinista.
"É gol" (narrativa-homenagem ao futebol) é lançado em 1982. A convite da Fundação Alemã de Intercâmbio Cultural, viaja em março para Berlim, onde permanece por dezesseis meses. Lá, publica "Oh-ja-ja-ja", uma seleta de seu diário berlinense, ainda inédito em português.
Voltando ao Brasil, em 1983, publica "Cabeças de segunda-feira" (contos).
Em 1984, lança "O verde violentou o muro", onde narra sua experiência alemã. O senador italiano Amintore Fanfani lhe entrega o Prêmio IILA, do Instituto Ítalo-Latino-Americano, pelo romance "Não verás país nenhum", publicado na Itália no ano anterior. Assume a vice-presidência da União Brasileira de Escritores, onde permanecerá até 1986.
Participa das Jornadas Literárias na cidade de Passo Fundo (RS), em 1985. Desde então, lá comparece a cada dois anos para participar do evento. Lança o romance "O beijo não vem da boca".
Em 1986, volta a Berlim, como convidado especial, para participar dos festejos dos 750 anos da cidade. Participa de encontro sobre literatura brasileira promovido pela Universidade de Colônia, na Alemanha, ao lado de João Ubaldo Ribeiro e Haroldo de Campos. Casa-se com a arquiteta Márcia Gullo e participa, como figurante, de "No país dos tenentes", filme de João Batista de Andrade.
"O ganhador" (romance) e "O homem do furo na mão" (contos) são lançados em 1987. O primeiro receberia, no ano seguinte, os Prêmios Pedro Nava (da Academia Brasileira de Letras) e Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria "Melhor Romance". "Não verás país nenhum" é encenado no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, sob a direção de Júlio Maciel.
Em 1988, lança o volume de contos e crônicas "A rua de nomes no ar". No ano seguinte, "Manifesto verde", que havia sido publicado em 1985 como brinde do Círculo do Livro, é lançado comercialmente. Publica o álbum infanto-juvenil "O homem que espalhou o deserto".
Como diretor de redação da revista Vogue, Ignácio volta ao jornalismo, em 1990. Passa a escrever crônicas para o jornal Folha da Tarde.
"Zero", um espetáculo de dança realizado pelo Balé da Cidade, inspirado em seu romance homônimo, é apresentado no Teatro Municipal de São Paulo no ano de 1992. Vai à Zurique, na Suíça, onde participa de leituras de sua obra.
Em 1993, começa a escrever uma crônica no caderno "Cidades" de "O Estado de São Paulo" que, a partir de 2000, seria transferida para o "Caderno 2". Seu pai falece, aos 88 anos.
No ano de 1995 realiza três lançamentos: "O anjo do adeus" (romance), "Strip-tease de Gilda" (crônicas) e "O menino que não teve medo do medo" (infanto-juvenil).
Afligido por fortes tonturas, descobre existir um aneurisma cerebral. Submete-se, em maio de 1996, a uma bem-sucedida cirurgia, que dura onze horas.
Publica "Veia bailarina", em 1997, onde conta sua experiência como aneurisma. Em 15 de abril inaugura, no Instituto Moreira Salles de São Paulo, a série "O escritor por ele mesmo".
Em 1998, publica "Sonhando com o demônio", seu terceiro livro de crônicas. No ano seguinte é lançado "O homem que odiava a segunda-feira (contos).
Recebe o Prêmio Jabuti de "Melhor Livro de Contos", em 2000, por "O homem que odiava a segunda-feira".
Obras do autor:
Contos:
Depois do sol, Brasiliense, 1965
Pega ele, Silêncio, Símbolo, 1976
Cadeiras proibidas, Símbolo, 1976
Cabeças de segunda-feira, Codecri, 1983
O homem do furo na mão, Ática, 1987
O homem que odiava segunda-feira, Global, 1999
Romances:
Bebel que a cidade comeu, Brasiliense, 1968
Zero, Brasília/Rio, 1975
Dentes ao sol, Brasília/Rio, 1976
Não verás país nenhum, Codecri, 1981
O beijo não vem da boca, Global, 1985
O ganhador, Glogal, 1987
O anjo do adeus, Global, 1995
Infanto-juvenis:
Cães danados, Belo Horizonte Comunicações, 1977. Reescrito e publicado com o título "O menino que não teve medo do medo", Global, 1995.
O homem que espalhou o deserto, Ground, 1989
Viagens:
Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida, Livraria Cultura, 1978
O verde violentou o muro, Global, 1984
Relatos autobiográficos:
Oh-ja-ja-ja (Diário de Berlim, inédito em português). Tradução de Henry Thorau. LCB, 1982
Veia bailarina, Global, 1997
Cartilha:
Manifesto verde, Círculo do Livro, 1985 e Ground, 1989
Crônicas:
A rua de nomes no ar, Círculo do Livro, 1988
Strip-tease de Gilda, Fundação Memorial da América Latina, 1995
Sonhando com o demônio, Mercado Aberto, 1998
Biografias:
Fleming, descobridor da penicilina, Ed. Três, 1973
Edison, o inventor da lâmpada, Ed. Três, 1973
Ignácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, Ed. Três, 1974
Antologia:
Os melhores contos de Ignácio de Loyola Brandão, organização de Deonísio da Silva, Global, 1994
Traduções:
Para o alemão:
Null (Zero), Suhrkamp, 1979
Kein land wie dieses (Não verás país nenhum), Suhrkamp, 1984
Para o coreano:
(Zero), Seto, 1990
Para o espanhol:
Cero (Zero), Galba, 1976
El hombre que espandió el desierto (O homem que espalhou o deserto), Global - México, 2000
Para o húngaro:
(Zero), JAK, 1990
Para o inglês:
Zero, Avon Books, 1983
And still the earth (Não verás país nenhum), Avon Books, 1984
Teeth under the sun (Dentes ao sol), Dalkey Archive Press, 2007
Para o italiano:
Zero, Feltrinelli, 1974
Non vedrai paese alcuno (Não verás país nenhum), Mondadori, 1983
Vietat le sedie (Cadeiras proibidas), Marietti, 1983
Adaptações:
Para o teatro:
Não verás país nenhum. Direção de Júlio Maciel, Fortaleza, Teatro José de Alencar, 1987 (baseado no romance homônimo)
Para o cinema:
Bebel, a garota-propaganda. Direção de Maurice Capovilla, 1986 (baseado no romance Bebel que a cidade comeu)
Anuska, manequim e mulher. Direção de Francisco Ramalho, 1969 (baseado no conto Ascensão ao mundo de Annuska").
Dados extraídos de livros do autor, da Internet e dos Cadernos de Literatura Brasileira, Instituto Moreira Salles, São Paulo.
Projeto: Em busca da redação perdida
Só pra explicar:
Eu escrevia muito desde que eu comecei a escrever até mais ou menos os meus 18 anos. Desde então parei.
Agora que estou passando da fase de futuro do Brasil para problema social. Estou tentando passar em concursos públicos que me interessem. E alguns deles requerem que eu faça uma redação. E como a minha redação sempre foi motivo de orgulho até alguns anos atrás. E exemplo disso são os devaneios tolos de um forma geral. Usarei esse blog como uma oficina de temas e textos para voltar a velha forma.
Porque estou me preocupando em voltar a velha forma. Porque estou estudando mas isso pouco importa, para passar em um concurso público, considerando o meu histórico de vestibular.
Qual história?
A de que eu não estudei no vestibular, passei com uma nota baixíssima. E depois fui saber porque eu tinha passado então. Porque tirei 99,9 na redação. Sim! Em busca da redação perdida. (Não estou me gabando com este fato, mas explicando o porque dessa nova e antiga dedicação).
Ah sim e para buscar inspiração e não obrigar vcs a lerem coisas ruins postarei todos os dias também um texto de algum autor que mereçam publicação.
Hasta la vista
Eu escrevia muito desde que eu comecei a escrever até mais ou menos os meus 18 anos. Desde então parei.
Agora que estou passando da fase de futuro do Brasil para problema social. Estou tentando passar em concursos públicos que me interessem. E alguns deles requerem que eu faça uma redação. E como a minha redação sempre foi motivo de orgulho até alguns anos atrás. E exemplo disso são os devaneios tolos de um forma geral. Usarei esse blog como uma oficina de temas e textos para voltar a velha forma.
Porque estou me preocupando em voltar a velha forma. Porque estou estudando mas isso pouco importa, para passar em um concurso público, considerando o meu histórico de vestibular.
Qual história?
A de que eu não estudei no vestibular, passei com uma nota baixíssima. E depois fui saber porque eu tinha passado então. Porque tirei 99,9 na redação. Sim! Em busca da redação perdida. (Não estou me gabando com este fato, mas explicando o porque dessa nova e antiga dedicação).
Ah sim e para buscar inspiração e não obrigar vcs a lerem coisas ruins postarei todos os dias também um texto de algum autor que mereçam publicação.
Hasta la vista
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Devaneios tolos
Isso não é pra ser um conto, não é um conto. é história passada a ferro e fogo. Foi muito tempo, há muito tempo? A relatividade parece um barco sem remos, perdido, solitário, vulnerável. Cansei dessa relatividade das coisas, essa coisa fria tão real que queima a pele sem deixar cicatriz. Porque eu sinto toda essa contrariedade me dizendo arbitrariedades no ouvido e provocando queimaduras...nos meus pensamentos.
Afes...e ainda fico perdendo tempo alcançar a paz. Como ter paz na realidade crua do dia a dia? Encontrando uma realidade melhor dentro da realidade talvez...Porque não? A realidade se mostra em tantas paisagens e tantas cores pelas voltas da vida...
Tenho medo. Um medo absurdo da realidade.
Medo filho de jornais e revistas, famílias e outras mostras explícitas de que a violência e a desumana frieza é uma "boa forma" de analisar as coisas. Mas não é! E analisar também não é lá uma das melhores coisas quando o mundo, a vida, a rotina pedem p vc agir...e rápido. Ação essa que é o único propósito de estarmos presos nessa cela sem saída. Nosso corpo. A ação de mover a vida...Cada qual com a sua forma mais adequada.
Aiai. E pra que discutir? Por uma razão tola, me alivia...
Afes...e ainda fico perdendo tempo alcançar a paz. Como ter paz na realidade crua do dia a dia? Encontrando uma realidade melhor dentro da realidade talvez...Porque não? A realidade se mostra em tantas paisagens e tantas cores pelas voltas da vida...
Tenho medo. Um medo absurdo da realidade.
Medo filho de jornais e revistas, famílias e outras mostras explícitas de que a violência e a desumana frieza é uma "boa forma" de analisar as coisas. Mas não é! E analisar também não é lá uma das melhores coisas quando o mundo, a vida, a rotina pedem p vc agir...e rápido. Ação essa que é o único propósito de estarmos presos nessa cela sem saída. Nosso corpo. A ação de mover a vida...Cada qual com a sua forma mais adequada.
Aiai. E pra que discutir? Por uma razão tola, me alivia...
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
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