O reggaeton assim como o funk são estilos de música marginais da América Latina. O funk no Brasil e reggaeton nos países latinos em geral. A origem de ambos foi umas mistura de estilos já marginais que tiveram a surgência de outro. Pois bem, mas a minha discussão não é sobre a origem e a atualidade desses estilos, nem sobre a pobreza de letras e ritmo de ambas. Mas a respeito do preconceito com a temática. As pessoas escutam músicas de MPB com estilos repetitivos, mas mais lentos e letras curtas que muitas vezes tratam do mesmo tema sexo e consideram essas músicas ricas de melodia e letra. Mas o sexo tratado no reggaeton e no funk não. Eles tratam de uma forma pervertida. Mas o que é tratar o sexo de uma forma pervertida? É falar explicitamente, falar claro sobre esse tema? E porque não falar claramente sobre sexo?
A respeito do ritmo e melodia é simplesmente mais uma música pop. Praticamente todas as músicas denominadas pop tem ritmos repetitivos e características de batidas fortes. Algumas variam entre batidas eletrônicas, outras em intrumentos de percurssão. Mas pode se dizer que para uma música ser pop, uma batida repetida é necessária. Isso inclui também a “sacra” música clássica quando popularizada. É só pegar uma das músicas clássicas que são mais populares como O Bolero de Ravel e popularizar mais ainda! Pronto criou-se uma música pop.
A respeito da temática elas são tratadas de forma superficial de forma geral. Mas até nisso podemos refletir. O que é um tema tratado de forma objetiva e o que é um tema tratado de forma superficial? Ambos são ditos em poucas palavras e fazem conclusões a respeito de um tema. O tema tratado de forma objetiva pode ter sentido mais completo que o tratado de forma superficial, mas considerando que para discorrer a respeito de um tema é necessário explicações e detalhes. Ambos podem ser interpretados como superficial, ou porque não? Objetivos.
A principal critica de forma geral não é a forma com que é tratado o tema. Mas o teor sexual da maior parte das músicas. Nesse sentido é uma hipocrisia sem medidas querer que um grupo marginal na sociedade, que não tem acesso à nossa “arte” fale e escreva como os “eruditos”. Por que não dar melhores condições de vida e estudo pra essa população ao invés de criticar o nível de escolaridade deles? Dizer que o sexo que eles tratam no funk e reggaeton é sujo é tão verdadeiro como dizer que o sexo da classe A ou B é limpo. Sexo é sexo. E ponto final. E mesmo com 500 anos (ou mais) de dominação católica na nossa sociedade, já passou da hora de encararmos as coisas naturais como coisas naturais. Considerar sujo o ato sexual é como considerar sujos os alimentos orgânicos por serem adubados com adubo natural, ou considerar as águas de fontes sujas porque tem barro misturado.
Não se pode falar francamente sobre sexo por hipocrisia de uma sociedade que finge ser assexuada pra ganhar mais status e dinheiro. Querer alcançar uma profissão de sucesso e se preocupar em ganhar bastante dinheiro, para ter os luxos ao bel prazer do individuo é mais sujo do que produzir uma música que fala de um ato sexual explicitamente. Eu sinceramente não gosto de funk, mas gosto sim dos ritmos do reggaeton, apesar da qualidade técnica nem sempre ser a melhor maravilha do mundo. Mas o principal nessa discussão não é defender esse tipo de música em si, mas de tirar as máscaras de Cult e intelectual antes de ouvir ou ver ou ler qualquer coisa. Porque tudo o que é produzido tem um fundo histórico e social a ser observado antes de qualquer julgamento. E julgar por hipocrisia, é uma absurdo em tempos “modernos”.
Não sabe o que é reggaeton?
http://www.reggaetonbr.com/
Um comentário:
É isso aí, Lis! Como reggaetonero, eu só vou aceitar críticas dos fãs de popirroque depois que um deles tiver cantado com a Mercedes Sosa! =D
Postar um comentário