quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Um dia comum de férias
Um dia comum, de férias. Com a monotonia naquela medida conhecida, das férias passadas dentro da própria cidade, e um tanto de coisas amontoadas na mente de Vivian que observava o teto, a música brasileira atual que tocava na rádio, e as marcas de acnes deixadas por ela mesma. Nada disso realmente a interessava, mas como o jornal se postava diante dela como que dizendo veja os desastres causados pelo Haiti minha filha, tenha coração, leia o resto também, porque é necessário não se alienar. Ela foi lá e leu, apesar de nunca entender o fato de ter que se manter atualizada para não se alienar ela leu. A 1ª sessão, 2ª, 3ª, um possível emprego, ligou, a 4ª e pronto. Agora que já sabia das notícias do dia, foi procurar mais sobre a mais nova versão da velha baboseira besta brasileira, o BBB 10. Encontrou, não acrescentou nada e passou de assunto. Parada diante do espelho agora, precisava escovar os dentes, mas observava cuidadosamente suas próprias expressões observava seus. Já não tinha mais aqueles olhos inocentes, e alienados? Quando mais nova ela sabia de tanta coisa, sentia o mundo pulsando em suas mãos, e a cada desastre que acontecia era um estrondo interno na proporção exata do fato. Mas ela não lia jornais nessa época. O sorriso? Deixou de ser gratuito há algum tempo também, aliás, ela não entendia como podia existir gente que entendia a verdade das coisas e ainda assim conseguia sorrisos gratuitos e fotogeinidade a qualquer momento. Ou será que eles não entendiam o que o mundo queria dizer com um terremoto de 7° na escala richard? Os dentes amarelos, amarelos da cafeína tão querida. Ela já se assumiu como cafeinada, o vício que bem sabia, era delicioso e agressivo como qualquer outro vício, mas bem menos que drogas sólidas ou líquidas vendidas por aí. E escolheu a cafeína. Enfim o rosto, traços bonitos, não tão feliz, nem tão vivaz quanto na sua adolescência. Mas Vivian estava feliz! De uma forma tão real que a impulsionava e ser ativa. Apesar de muita coisa ter mudado em suas expressões e sentimentos, hoje ela expirava muito mais amor e quanto mais o tempo passava ela amava mais o seu passado, o presente e o futuro, as qualidades e defeitos, mesmo aos novos defeitos. Cada expressão merecia sua forma de carinho e gratidão. Porque sabia afinal que tudo aquilo era a marca real de que ela viveu, e continuava vivendo, sem parar no tempo, eram as marcas das diversas experiências e aprendizados que passara. E a busca felicidade tão sonhada? Felicidade é mais do que sorrisos gratuitos, vivacidade a todo custo, e esperança ingênua. Ela estava feliz exatamente naquele momento, sim, porque sentia o tempo passando pelas suas células sem pudor algum e aumentando com o passar o tamanho e a capacidade pra sentir a vida, pelo que ela é.
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