sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Não
Não você não me terá mais
Não dançará comigo ao som da noite
Nem ouvirá minha voz de barda maga
Não sentirá meu cheiro em seus lençois
Nem saberá os mistérios sagrados
Que escolhem os iluminados da arte
Não lerá meus novos esceritos e versos
Ou tocará o meu corpo como instrumento
Não comerá os meus quitutes mineiros
Não verá minhas loucuras rotineiras
Nem queimará ao fogo ardente do sexo
Que surge nas paixões devastadoras
Ou ouvirá o meu grito de extasê e gozo
Porque antes de nascer você abortou
E matou as esperanças que eu tinha
Te dei liberdade, aventura, amizade
E você respondeu na mesma moeda
Porém prometeu o que não cumpriu
E você já sabe desse final...
Perdi o gosto que tinha antes
E VOCÊ NÃO ME TERÁ MAIS!
face em prosa picada - dezembro 2007
Aliás deixa eu fazer um monólogo protestando a vida. Ah, isso é bom de fazer! Mesmo que brincar de protestar. Eu quer uma nuvem colorida, eu quero sim um amor de sorrisos, ah eu quero mergulhar em música, eu morreria até feliz eu acho...se por acaso me afogasse em canções bonitas que fizessem minha alma vibrar...
Mas quem se atreve a me dizer do que é feito o samba, quem se atreve a me dizer? Quero um samba seu, quero aquele samba que vi nos seus olhos muralha de sonhos. Ah, eu vi tanta coisa, me desculpa ser xereta, mas não resisti aquele brilho!Sabe, perdi o seu poema, mas seria até capaz de escrever outro...
Ando brincando de olhar, tenho que parar com isso, mas é muito divertido ver a reação dos homens que ficam curiosos, loucos, intrigados, encantados, qualquer baboseira aí que eles falam às vezes. Isso é legal, mas um pouco cruel. Aliás não é só nos homens, mas nas mulheres também é ainda mais interessante. Na verdade as mulheres são bem mais interessantes. Mas não tomo partido. Eu diria que sou uma mulher ativa ligeiramente masculinizada e um homem passivo (expressão odiosa que aprendi com um querido!, fortemente feminilizada.
Isso me lembra a minha personagem no musical RENT que o Felipe está direcionando. Quem é Felipe? Meu salvador, ele me tirou do mundo das drogas e me trouxe de volta à mpusica. Vocês sabem né? A droga da faculdade, a droga de emprego provisório, a droga do gasto de energia inútil. Mas bem, ele é um anjo que caiu na minha vida, Meu segundo melhor professor de canto! Bom voltando ao assunto do Musical, eu vou participar se Deus ajudar. Porque os testes foram marcados para o dia 28 e 29 de dezembro. Mas não pode! Porque eu preciso ser a Maureen! Ela é bissexual sedutora, fofa, encantadora e artista a favor de causas justas, bem compatível comigo tirando algumas coisas, além de ser morena branquela. Eu só preciso de uma chance! Só uma para mostrar que serei perfeita para o papel!
O sono tá começando a chegar mas ainda não fiz meu pedido para o papai noel. Eu acho que fui uma boa menina e mereço um presente!Papai noel me dá uma chance de eu apresentar o meu potencial?
Alma selvagem
Ás vezes me enrosco em alguém
Não sei explicar...
É coisa de corpo
É coisa de alma
É coisa de corpo e alma selvagem...
abril 2008
Fragmentos - Romance
Sim, luzes em todos os lugares, as da cidade na hora de deitar e as do céu da hora em que já deveria estar dormindo. todas tinham muita beleza mas faltava vida. Essa, a da vida eu via pouco no grandes, a maioria não sabia mais do que trocar palavrões ou discursos iguais e vivendo dias iguais, mas aqueles outros que sabiam sorrir de verdade, e viam mesmo. Nesses poucos os olhos fulminavam como brasas em fogueira de festa...
Paola é um desses grandes. Ela era tia, cabelos escuros avermelhados pelo sol, pele morena clara, rosto jovem de sorriso largo e marcas de natureza imperceptível. Marcas misteriosas...
Dialogo em três Elisas
Eu diabinho: razão
Eu por mim mesma: não precisa de explicação...rs
Eu anjinho:Diga xis!
Eu por mim mesma:E por quê?
Eu anjinho:Porque sim, porque a vida lhe sorri...
Eu diabinho:Ah mas é?rs...isso também não é relativo?
Eu por mim mesma:Talvez...
Eu anjinho:Mas, veja só a sua volta...
Eu diabinho:hum, tô olhando q q tem?
Eu por mim mesma:Tem árvores, passaros, prédios...
Eu anjinho: E o que mais você vê? fala a verdade o que você andou vendo?
Eu por mim mesma: é verdade...rs...a vida me sorri...
Eu diabinho:Conte-me detalhes
Eu anjinho: você tem amigos, tem a dança, tem a música na sua vida, a faculdade, tem a capacidade de conseguir vários empregos...
Eu por mim mesma: é verdade!rs
Eu diabinho: mas tenho defeitos...
Eu anjinho: E daí? Tenho certeza que as coisas boas dão em cachos, e svc sabe disso, sempre frequentes...
Eu por mim mesma: Sim, não posso negar.
Eu diabinho: Ainda não me convenci...
Eu anjinho: Então conta o resto...
Eu: é...rs...é verdade...
Eu diabinho...é verdade verdade, aiai, fala como se fosse grande coisa, gente especial apareçe na vida sempre e ás vezes não é nada...
Eu por mim mesma: pode ser, mas...na verdade não me importo...
Eu diabinho não se importa como?
Eu anjinho: Assim, não me importando, não me importa o que virá me sinto maravilhosamente bem, como poucas vezes...
Eu: como poucas mesmo...
Eu diabinho: Mas será que ele se sente do mesmo jeito?
Eu por mim mesma: Também não me importo.
Eu diabinho: Nem com a loura do álbum...?
Eu anjinho: não sou exemplo nesse sentido, também tenho "amigos", e isso muda, se o sentimento é verdadeior.
Eu diabinho: você tem certeza?
Eu por mim mesma: Ah vcs querem parar de falar besteira? Tenho mais o que preocupar, e tô me sentindo muito bem, triste é não viver...
Eu diabinho: é isso não tem como discordar...
Eu anjinho:...rsrsrs...eu sabia! Que vc ia acabar chegando num consenso...
Queridos Amigos...
Queridos amigos, sempre me lembro de vocês e mando lembrnaças, mas nem sempre valorizo a presença de vcs na minha vida como deveria ser. Porque às vezes me esqueço de lembrar a vocês que vocês foram meus guias, apoios, companheiros, alegrias, e boa parte do que me impulsiona a continuar meu caminho.
Aos meus queridos amigos das trilhas e bikes agradeço a coragem e a força que me deram, porque em uma bicicleta não consegui só resistencia física, mas coragem, amizade, experiência, companheirismo, lealdade. E agradeço também aos queridos inimigos que não acreditaram que eu poderia, mas eu pude, e foi através dos vários caminhos íngremes que passamos que pude perceber que podemos, TUDO!
Aos meus amigos de escola agradeço ao ombro, porque provavelmente foi a fase que mais chorei e reclamei...rs...sim, os que se mantiveram ao meu lado, que olhavam nos olhos, davam um abraço, acreditavam que tudo podia ser remediado, e que o conhecimento é maior do que mesquinharias de gente pequena, fizeram uma muralha de conteúdo que agradeço muito. E agradeço também aos amigos que me ajudaram a quebrar as regras e sentir a vida, porque só descobri o que era vida de verdade com eles...
Aos meus queridos amigos da música e músicos agradeço ao apoio incondicional, porque nem sempre acreditei no meu potencial, e se não fosse pelos meus amigos músicos, amigos mestres, amigos companheiros de música, não teria essa certeza e esse caminho tão bem definido como tenho hoje.
Aos meus queridos amigos do metal e RPG e nerdices diversas, obrigada, por vivenciar a vida contradizendo a sociedade, e por mostrar que muitas e muitas vezes as probabilidades são o que importa, e que não necessariamente é preciso fazer o que se está pré determinado, seja por padrões, seja por contas, seja por atividades, seja por comportamentos comuns para se chegar na verdade.
Aos meus amigos de farra agradeço aos belíssimos momentos de vida intensidade, afogação de mágoas, danças, extravasamento de energia, e gritos e tudo o que desfaz a rotina cruel a que somos submetidos todos os dias.
Aos meus amigos de internet agradeço aos papos, às filosofadas, à cura da solidão, à vida que percebemos às vezes distante da mesma, aos desejos, aos delírios e à tantas coisas que conversamos tão intimamente e espontanemente sem mesmo precisar olhar o rosto do outro, porque já se concretizou a confiança.
Aos meus amigos da dança, e professores, agradeço a paciência, a alegria, aos tantos momentos de descontração, à vida que todos nós conseguimos sentir no momento em que a dança flui pelo corpo numa harmonia simples e maravilhosa.
Aos meus queridos e grandes amigos do peito, à esses tenho um lugar especial, não que os outros não tenham, mas à esses eu devo a minha vida e tudo que puder fazer para eles se sentirem bem. Porque para vocês, eu nem preciso contar, tudo o que escrevi acima vivemos às vezes em olhar, e por identificação de sentimento e de alma. Adoroooo vcs de todo o coração, E espero que todos tenham a por guia a estrela que merecem; Porque vocês me mantiveram viva! (Em todos os sentidos...rs)
beijussss
Na estação...
Ando em pacotes de roupas
Lã, linha, lona, algodão...
E uma cara lavada
Novamente eu caminho
Em direção à nada
Pra tentar descobrir
Novos horizontes...
Destino
Tomo o meu café e tomo algo
Resolvo o dia para não me perder
Mas no fim estou sempre pensando em você...
Faço exercícios, me estico, me forço
Sento na sala e estudo a lição passada
Defino projetos, vou contra a maré
Mas qualquer vento seu é capaz de me derrubar
Então canto, danço e grito
Vejo vídeos bizarros para me divertir
Brinco com a gata, pulo, me agacho
E no meio do nada sinto você chegando...
Não adianta fugir, você está em todo lugar
Não adianta chorar, o tempo dirá a hora
O fato que insuportavelmente não se pode negar
É que serei eternamente tua...e você, meu...
Apressa-te
Anda coloca seu calçado, veste a blusa e pega a água. A seca tá braba nesses tempos, sede de tantas coisas que estamos começando a sentir!
Vê se corre não relaxa, aqui não tem rede pra descansar tem só uma brisa debaixo das árvores, que serve para equilibrar esse calor...Esse calor que fica perseguindo a todos, como resposta à todas as coisas que temos feito nesses tempo com o clima. Que responde as perguntas com respostas exatas. Toda ação, uma reação.
Não, pode ir largando esse peso, quer carregar tranqueira pra que? Tranqueira só serve para pesar mais as costas além de trazer o passado estampado em preto e branco impregnado em cada uma dessas coisas.
Palavras pode carregar desde que também sejam de bom grado, porque nada que é de desagrado da vida deve ser carregado. Tudo é muito relativo também. Enfim quanto a escolha de palavras fique à vontade para levar o que quiser, acho que essa escolha eu posso deixar para você.
Mas corre, e vê se não divaga o passo, para chegarmos todos num consenso de ritmo enfim. Para caminharmos nessa marcha acelerada com tranquilidade, e conseguirmos seguir adiante mesmo com alguns rastros de sangue e suor deixados no caminho. É bom também ter um pouquinho de cautela quanto às escolhas que decidir tomar.
Mas há pressa ainda assim em muitas coisas pois então não perca estações inteiras, porque seria terrível se caso acontecesse.Quanto aos queridos que você quer carregar contigo? Carrega todos no coração e deixe sempre uma lembrança, uma flor, uma pedra, um sachê, um guardanapo que seja, qualquer coisa que ajude a aquecer o coração. Porque mesmo que o tempo arda em volta é sempre perigoso deixar gelar o coração. Isso não pode, isso não deixo, isso não deixe.
Mas o que importa mesmo é seguirmos os bons ventos, anda vem comigo! Vamos seguir caminhando, porque a pressa é fato, mas a felicidade deve ser fato também. Bem sem mais delongas vem logo!
Reedição B.B.N.
Poemas curtos
Espontâneos, diversos, livres
Não me conte versos, nem nada
Números só são aceitos se queridos
Eu os amo, é verdade, mas não agora
As palavras gritam hoje
Como em tantos outros dias
Se contrapondo a qualquer lógica
Mas sorria! Porque a dança da vida,
sempre continua a brilhar
Mesmo quando se finda
Reeedição das poesias do Bailarina das Nuvens(blog deletado)
Diamante Bruto
Trata-me com esmero e polidez
E terás a mais preciosa pedra do mundo
Trata-me com despeito ou sentimentos dessa ordem
E posso ferir-te somente pela minha presença
De pedra, bela, porém áspera e pontiguada
Mas que não fere por sua vontade
Só quando não compreendida
e cuidada desmerecidamente
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Tema do dia: Mediocridade
'Só uma pessoa medíocre está sempre em sua melhor performance."
William Somerset Maugham
"Um gênio pode ser uma ameaça na República da mediocridade."
"Ser coerente é o último refúgio dos que não têm imaginação"
Oscar Wilde
"Sempre as personalidades dinâmicas tornam-se instintivamente suspeitas às pessoas medíocres."
Stefan Zweig
"Bom comportamento é o último refúgio da mediocridade."
Henry S. Askins
"Eles são descobridores doentes que acham que não há terra quando não conseguem enxergar nada, apenas o mar."
Sir Francis Bacon
"A mediocridade é excelente aos olhos das pessoas medíocres."
Joseph Joubert
"De modo geral, as pessoas medíocres condenam tudo o que não está ao seu alcance."
Duque de La Rochefoucauld (François Poitou)
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Guillaume Apollinaire
Guillaume Apollinaire
(Roma, 1880 - Paris, 1918)
Poeta francês. Filho natural de uma dama da nobreza polaca e de ex-militar italiano, passa os seus primeiros anos entre Roma, Mónaco, Nice, Cannes e Lyon. Aos 22 anos estabelece-se em Paris. Funda diversas revistas, exerce a crítica de arte e participa activamente nas acesas polémicas artísticas do seu tempo. Modelo do escritor vanguardista, defende a arte dos fauves (Matisse, Derain e outros), apoia o nascente cubismo de Picasso e Braque (num famoso texto, Les Peintres cubistes, de 1913) e está em contacto com Marinetti e os futuristas italianos. Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, envolve-se nela, e em 1916 é ferido por metralha na cabeça, de que se restabelece.
Nos seus primeiros poemas (Aurore d’hiver, Lecture, 1897-1903) cria uma atmosfera sugestiva e de penumbra tingida de sangue e carregada de augúrios funestos. Temas manifestados na sua obra são o exílio, os sentimentos penosos de separação e a atracção do exótico: evocações da Flandres (Souvenir des Flandres), da Alemanha (As renanas) e da América (L’ Émigrant de Landor Road). De entre as suas obras em prosa destaca-se muito especialmente Les Mamelles de Tirésias, drama surrealista em que mostra o seu desespero e a sua melancolia em chave de humor.
A celebridade de Apollinaire está associada à sua obra em verso. Em 1913 publica Alcools, livro de poemas que abre um novo horizonte. Apollinaire, cuja vida decorre próximo da aparição do cubismo, aplica à sua poesia fórmulas de valor plástico. Assim, escreve diversos textos em que não utiliza sinais de pontuação e elabora os famosos Caligrames, poemas gráficos de notável lirismo visual. Há na sua lírica uma ritmo acelerado e uma intenção de simultaneidade que são o equivalente literário do cubismo pictórico. O ímpeto das suas imagens em liberdade leva-o aos limiares do surrealismo. Neste momento culminante da sua actividade literária, Apollinaire, que dois anos antes supera uma ferida de metralha na cabeça, morre vítima de uma epidemia de gripe aos trinta e oito anos.Lua que destila mel aos lábios dos loucos
Os jardins e os burgos esta noite são gulosos e roucos
Os astros até que imitam bem as abelhas
Deste mel luminoso que escoa das parreiras vermelhas
Pois eis que bem doce e caindo do céu
Cada raio de lua é um raio de mel
Ora escondido eu concebo a aventura muito doce
Tenho medo do dardo de fogo que esta abelha estrela troxe
E que pousou nas minhas mãos os raios dos lamentos
E tomou seu mel lunar à rosa-dos-ventos
Guillaume Apollinaire
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Amar verdadeiramente é apreciar o momento presente, enquanto a borboleta está ali - pois, se para ela for melhor voar para longe, a maior prova de amor é deixá-la ir, para que ela alegre outros seres além de você, compartilhando este momento fabuloso."
(Lama Tsering, ensinamentos de Novembro de 2004)
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Dê Paetes
Para quem ainda não viu, não perca a chance!
O espetáculo “De Paetês” será reapresentado nesse próximo sábado e domingo, dias 02 e 03 de agosto na FUNARTE.
O espetáculo “De Paetês” é composto de várias cenas apresentadas na linguagem do circo/teatro. Uma disputa pelo amor de um garçom se transforma em um sensual tango, um sonho romântico é interpretado pelo enlace dos corpos em um duo no trapézio e vários outros exemplos em que às técnicas do circo são re-elaboradas para contar as histórias das prostitutas, garçons, dançarinas, faxineiro, e outras personagens insólitas da noite, chegando através desta mistura, aos limites do fantástico.
DE PAETÊS
Espetáculo de Circo Teatro
02 e 03 de agosto
sábado 21h e domingo às 20h
Sala Plínio Marcos do Complexo Cultural da Funarte (atrás da Torre de TV)
Ingressos a 10,00 R$ (meia entrada) e 20,00 R$ (inteira)
No Elenco:
Súlian Princivalli
Cyntia Carla
Raphael Balduzzi
Lívia Bennet
Ana Sofia Lamas
Rodrigo Amazonas
Emanuel Santana
Pedro Martins
Diogo Cerrado
Mateus Ferrari
Sara Mariano
Karen Sakayo
Com a Trupe de Argonautas artísta paga meia! (Traga sua carteira de trabalho ou comprovação de atuação na área artística)
Fotos de Débora Amorim e Caetano Maia:
http://5786539756351389696.slide.co
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Biografia de Ludov
Este é o espírito. O Ludov já trilhou todo o circuito indie quando se chamava Maybees e chegou tão alto quanto uma banda “indie”, com suas letras em inglês, olhar tristonho e gola-olímpica, pode chegar: Dois discos independentes gravados no capricho, elogios de artistas do mainstream, da grande imprensa, público fiel, agenda de shows constante. Dali, era ou mudar para Londres para lavar pratos e viver mandando notícias de suas “turnês internacionais” por bibocas de Leeds ou trilhar mais uma vez o mesmo circuito, falar para as mesmas pessoas e ouvir os mesmos elogios. O quinteto paulista fez o que de mais corajoso e certo poderia fazer: Fechou para balanço, ergueu a pernoca e subiu o próximo degrau.
Foram dois anos compondo lentamente um novo repertório, burilando letras, arranjos, estudando timbres, criando músicas, descartando outras. A formação manteve-se praticamente a mesma: Vanessa Krongold (voz e violão), Mauro Motoki (guitarra, teclados e voz), Eduardo Filomeno (baixo), Habacuque Lima (guitarra e voz) e Vlad Rocha (este o novo integrante, na bateria). Os shows foram poucos e estratégicos, para testar as novas canções frente a velhos e novos fãs – para um grupo que desde 1995 passeia pelo Brasil todo mostrando sua música, a ausência deve ter sido complicada. Neste meio-tempo, Mauro Motoki compôs com o Ira! (o single “Milhas e Milhas”), Vanessa cantou com o Ira! e Pato Fu. Todo mundo travava contato com a nova cena de pop nacional (Bidê ou Balde, Frank Jorge, Los Hermanos) e pegava gosto por fazer-se entender em português. Depois de tudo, com Dois a Rodar, o EP que o Ludov acaba de tirar do forno, a ausência foi plenamente justificada.
A bem da verdade, a essência do som da banda ainda é a mesma – pop redondo reconhecível há quilômetros, com arestas cortantes delicadamente concebidas –, o que não explica muito, porque esta é a essência do bom pop de guitarras desde os Beatles até o Kid Abelha. O Ludov faz canções, com esmero e domínio da linguagem, com melodias assobiáveis como profissão de fé, mas com vocação jovem, urbana, por DNA. No fundo, o que separa o bom do mau pop é a convicção com que você veste a camisa – quem o faz pela fórmula, como uma concessão, está fadado ao fracasso. O Ludov passa longe disso: Dois a Rodar é uma sessão de pouco mais de 20 minutos mostrando que o pop inteligente, como desafio, no Brasil, não ficou restrito aos melhores momentos dos anos 80.
O disquinho é variado no conteúdo, mas transpira personalidade própria – o paradoxo é explicado por uma banda ao mesmo tempo estreante e veterana. “Dois a Rodar” é romantismo barroco, quase um tango guitarreiro, com versos cheios de volutas e levemente oníricos; “Da Primeira Vez” parece Antonio Marcos reencarnado no ano 2003, grudenta e evidentemente ótima para ouvir no meio de uma platéia; “Aconteceu” vem na seqüência conduzida pelo piano, mas com muitas guitarras e um clima de esperança escondido sob versos como “e num palco vazio, você me deixou/ a luz se apagou”. O clima muda com “Trânsito”, pepita pop com letra de amor delirante (platônico, claro, como só a voz de uma garota pode legitimar); “Princesa” é a mais radiofônica (“pra tocar em que rádio?” o cínico de plantão vai perguntar), uma balada conduzida ao violão que mistura cenas do cotidiano com uma meta-linguagem levemente surrealista (“como seria melhor se não houvesse refrão nenhum/ mas há”); “Melancolia” fecha o disco usando elementos lounge para suavizar seu clima de insônia e mau-amor a que o título se refere. A idéia do quinteto é usar Dois a Rodar para voltar aos palcos, enquanto negocia com selos e gravadoras interessadas, com rádios, com a imprensa.
As FMs jovens estão cheias de músculos, tatuagens, dreads e bermudões street-wear, mas vazias de canções que falem sobre um dia na vida de seu ouvinte (ou de seu leitor, ou de seu público-alvo). Ou seja, vazias do bom pop. “Vamos falar a mesma língua para o nosso bem”, verso de “Da Primeira Vez”, já diz tudo. O Ludov tem o que dizer desde os tempos de underground. Agora resolveu abrir as portas para o grande público. A festa começa.
Ricardo Alexandre
junho 2003
