sexta-feira, 2 de julho de 2021

Lucy

Lucy chegou num caixote velho
Pupilas cheias escondiam o sol
Tremia de frio, de fome, de medo
Seu pelo manchado de trovões, 
Iluminava o cinza de seu manto
Um rato disfarçado de bigodes,
E de orelhas pontudas e frias
Debaixo de si, uma nota infantil
Me adote, preciso de uma casa

Mal sabia eu quanta vida havia
Naquele corpo pequeno e forte
Valentia não lhe faltava, decerto
Ligeireza também não carecia
Pássaros, calangos, insetos e tudo
Presentes constantes da natureza
O sonho de sua vida era o pombo
Calculava tanto as métricas e nada


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